A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) suspendeu a operação comercial de 12,48 MW de usinas hidrelétricas da Cemig em Minas Gerais, após danos causados por enchentes de fevereiro de 2026.
A Aneel tomou a decisão de suspender a operação comercial de unidades geradoras de duas hidrelétricas da Cemig, localizadas em Minas Gerais. A medida, anunciada cerca de dois meses após as intensas enchentes que devastaram a região em fevereiro de 2026, reflete a gravidade dos danos sofridos pela infraestrutura de energia. Ao todo, 12,48 MW de capacidade de geração de energia foram impactados, demandando um extenso processo de recuperação.
As unidades geradoras afetadas são as da UHE Paciência, totalizando 4,08 MW, e da UHE Joasal, com 8,4 MW, ambas inoperantes desde 24 de fevereiro de 2026. Este cenário impõe um desafio significativo à Cemig e à estabilidade do fornecimento de energia elétrica na região, evidenciando a vulnerabilidade do setor elétrico diante de eventos climáticos extremos.
Danos Extensos nas Instalações
Na UHE Paciência, situada no município de Matias Barbosa, a casa de força foi severamente atingida pela inundação. A água subiu a um nível de aproximadamente 1,2 metro, submergindo e danificando geradores, sistemas elétricos e equipamentos auxiliares essenciais para a operação. A Cemig havia previsto inicialmente o restabelecimento da usina até o final de abril de 2026, mas a complexidade para concluir o diagnóstico dos estragos e a necessidade de drenagem e inspeção detalhada postergaram o prazo.
A água adentrou a usina atingindo o nível interno de aproximadamente 1,2 m. Nessa situação, ficaram submersos, parcial ou totalmente, vários sistemas elétricos e mecânicos da instalação.
Após reavaliação, a Cemig Geração Sul comunicou à Aneel que a nova previsão de retorno à operação para a UHE Paciência é 31 de julho de 2026, indicando a magnitude da obra de reparo.
Impacto na UHE Joasal e Desafios de Recuperação
A UHE Joasal também sofreu com as enchentes. Relatos da Cemig indicam que os poços das cinco unidades geradoras ficaram completamente submersos, resultando em avarias nos transformadores de potencial e corrente dos sistemas de medição e proteção, além de outros componentes vitais. A concessionária projeta que a regularidade operacional da UHE Joasal seja restaurada até 31 de maio de 2026.
Contudo, a Aneel, por meio de nota técnica, manifestou preocupação com as incertezas inerentes a processos de recuperação complexos como este. A agência reguladora ressaltou que a previsão da Cemig pode não ser suficiente para garantir a manutenção da condição de operação comercial durante todo o período de indisponibilidade, levando à necessidade da suspensão oficial.
Contexto Regulatório e Outras Deliberações
A decisão da Aneel foi precedida por um ofício expedido em 31 de março de 2026, no qual a agência concedeu à Cemig a oportunidade de apresentar justificativas para evitar a suspensão da operação comercial. A resposta e a reavaliação da companhia, porém, não foram suficientes para afastar a medida regulatória. A suspensão sublinha a rigorosa fiscalização da Aneel sobre a disponibilidade da capacidade de geração no sistema elétrico nacional, especialmente após eventos que comprometem a segurança e a continuidade do fornecimento.
Em outras deliberações, a autarquia também aprovou o restabelecimento da operação comercial de duas unidades geradoras, totalizando 12,5 MW, da PCH Salto do Guassupi, no Rio Grande do Sul. Esta usina havia ficado indisponível em maio de 2023 devido ao colapso de um túnel adutor. Além disso, no Rio Grande do Norte, a Aneel liberou para operação em teste a unidade geradora UG10, de 4,5 MW, da eólica Ventos de São Rafael 11, contribuindo para a expansão da matriz de energia limpa do país.
A suspensão das usinas hidrelétricas da Cemig pela Aneel evidencia a crescente atenção à resiliência da infraestrutura de energia frente às mudanças climáticas. Embora as perdas de geração sejam um revés para a Cemig e o sistema elétrico de Minas Gerais, a prioridade é a segurança e a reconstrução eficiente das instalações. A expectativa é que, com os esforços de reparo e a supervisão regulatória, as usinas voltem a contribuir com a geração de energia, fortalecendo a segurança energética do estado e do Brasil.























