A Comercializadora 2W busca reverter seu desligamento da CCEE com intervenção da Aneel, alegando desproporcionalidade nas medidas.
A empresa 2W Comercializadora Varejista de Energia protocolou uma manifestação formal junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). O objetivo é solicitar que a regulacao/” title=”agência reguladora”>agência reguladora interfira nas decisões tomadas pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), que resultaram na exclusão da 2W do mercado e na revogação de sua licença para atuar como comercializadora varejista. A iniciativa surge como uma tentativa de reverter a situação de desligamento e de restabelecer a operação da empresa no setor.
Em sua argumentação direcionada à Superintendência de Fiscalização Econômica, Financeira e de Mercado (SFF) da Aneel, a 2W defende que as ações implementadas pela CCEE foram excessivas e desproporcionais. A comercializadora solicita, portanto, a manutenção de sua habilitação para negociar energia elétrica no mercado. Este pedido surge em resposta a um ofício da Aneel, que apontou dois motivos cruciais para a avaliação da continuidade da autorização da empresa: sua reclassificação para Comercializadora Tipo 2, devido ao não cumprimento de requisitos operacionais essenciais para atuação varejista, e o próprio desligamento da CCEE, motivado por débitos pendentes relacionados às liquidações financeiras do setor.
Um Caminho de Negociação Bloqueado pela CCEE
A 2W alega ter envidado esforços para resolver suas pendências financeiras diretamente com a CCEE, buscando equacionar os débitos e garantir a continuidade de suas atividades, especialmente durante o processo de recuperação judicial em que se encontra. Segundo a comercializadora, a CCEE não demonstrou abertura para negociações e manteve as notificações de desligamento, mesmo após a apresentação de recursos administrativos e de propostas alternativas para a regularização das dívidas.
A empresa também aborda sua reclassificação como Comercializadora Tipo 2. A 2W explica que seu patrimônio líquido negativo é uma consequência direta dos desdobramentos do processo de recuperação judicial, da volatilidade imposta pela marcação a mercado em contratos de energia, de reestruturações internas e de um cenário operacional desafiador nos últimos anos.
Plano de Recuperação Judicial e Impacto no Mercado
A 2W destaca que seu plano de recuperação judicial já foi aprovado pela justiça, com previsão de quitação de uma parcela significativa de seus passivos até 2027. A empresa ressalta que continua em operação, tendo apresentado uma receita operacional líquida considerável em 2025. A comercializadora argumenta que a restrição de sua atuação no mercado varejista com base unicamente no critério de patrimônio líquido vai de encontro aos objetivos de um plano de recuperação judicial.
Em relação aos débitos que levaram ao desligamento, a 2W afirma não ter contestado os valores, mas atribui a inadimplência a dificuldades conjunturais do mercado de energia. A proposta apresentada previa um acordo para parcelamento dos débitos do Mercado de Curto Prazo (MCP) em 24 meses, além de um pagamento à vista dos encargos setoriais. Em contrapartida, a empresa solicitou a suspensão do processo de desligamento. Contudo, essa proposta não foi aceita pela CCEE, que manteve sua posição.
A comercializadora expressa sua frustração com a postura da CCEE, citando em seu documento que a entidade não considerou os impactos sobre a empresa, seus clientes, colaboradores, credores e o mercado em geral. A decisão de protocolar o pedido de intervenção na Aneel ocorreu logo após a diretoria da CCEE ter negado os recursos da 2W e mantido o desligamento da companhia por inadimplência, uma decisão que a 2W busca reverter junto à agência reguladora.





















