A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) decidiu manter o desligamento da 2W Comercializadora Varejista da CCEE, citando riscos à estabilidade do setor diante da inadimplência recorrente da empresa.
A Aneel manteve, por unanimidade, a exclusão da 2W Comercializadora do ambiente de negociação gerido pela CCEE. A decisão, tomada na última terça-feira (28), reafirma a medida punitiva aplicada pela câmara em maio deste ano, após o acúmulo de débitos financeiros pela varejista.
A comercializadora, que atravessa um processo de recuperação judicial, tentou reverter o cenário através de um pedido de efeito suspensivo. Contudo, o relator do caso, o diretor Willamy Moreira Frota, sustentou que os problemas de pagamento, observados desde o final de 2025, comprometem a higidez do mercado livre de energia.
Impactos financeiros e o posicionamento da 2W
De acordo com auditorias da CCEE, os passivos da empresa superaram a casa dos R$ 34,9 milhões em junho. A defesa da 2W argumentou que o afastamento forçado inviabilizaria suas operações atuais, dificultando o cumprimento do plano de reorganização e prejudicando diretamente seus credores.
A empresa tentou justificar os resultados negativos com base em fatores macroeconômicos e regulatórios. Em sua argumentação, citou o cenário de volatilidade no PLD, a falta de liquidez no setor e as dificuldades operacionais decorrentes dos constantes cortes de geração renovável, conhecidos tecnicamente como curtailment.
“A permanência de um agente com histórico persistente de inadimplência gera um efeito dominó, sobrecarregando os demais participantes da CCEE e desequilibrando as garantias do sistema”, pontuou o entendimento da agência durante a votação.
Projeções e desdobramentos regulatórios
Além do impacto direto sobre a comercializadora, a Aneel destacou que o pedido da empresa falhou em apresentar as garantias financeiras, ou cauções, indispensáveis para a concessão de efeitos suspensivos em processos de desligamento. O mérito da impugnação será conduzido agora pela SGM (Superintendência de Regulação dos Serviços de Geração e do Mercado de Energia Elétrica).
Em um processo paralelo, a diretoria da agência também encerrou o recurso da 2W Ecobank S.A.. O caso, que envolvia questionamentos sobre procedimentos de monitoramento, foi considerado sem objeto, visto que o prazo de supervisão imposto pela câmara já havia sido concluído. A decisão reflete a postura mais rigorosa do regulador frente à solvência dos agentes no varejo de energia.






















