Consumidores catarinenses atendidos pela Celesc enfrentarão um reajuste tarifário médio de 10,3% após nova decisão da Aneel, que impacta diferentes perfis de carga e tensões de consumo.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) oficializou, nesta terça-feira (18/08), o novo patamar de tarifas para a Celesc Distribuição. A medida atinge diretamente cerca de 3,6 milhões de unidades consumidoras localizadas em Santa Catarina, refletindo um reajuste necessário para equilibrar os custos da operação no estado.
O impacto financeiro será sentido de forma distinta conforme a categoria de atendimento. Para os usuários de alta tensão, o incremento médio nas faturas será de 14,16%, enquanto o segmento de baixa tensão sofrerá um reajuste de 9,26%. Especificamente para as residências, o impacto calculado é de 9,29%.
Fatores que pressionam a conta de luz
A composição deste novo índice tarifário é explicada, fundamentalmente, pela elevação dos gastos com a transmissão de energia e pelo peso dos encargos setoriais. Além disso, a necessidade de compensar componentes financeiros de períodos anteriores pesou na decisão da autarquia.
Sobre os encargos, a variação da cota de CDE Uso foi o fator de maior peso, elevando a conta em 3,20%. Em contrapartida, a cota de CDE GD (Geração Distribuída) atuou como redutor, com -2,45%. Custos relacionados à viabilização de leilões de reserva de capacidade também foram incorporados ao cálculo.
Equilíbrio entre custos e ajustes
“A atualização reflete não apenas o aumento das despesas contratuais de compra de energia, mas também a necessidade de ajustar o fluxo de caixa diante de componentes financeiros herdados de ciclos anteriores”, reforça o relatório da Aneel.
A empresa catarinense, contudo, voltou a ter dificuldades na declaração de dados de unidades com GD II e GD III, fato ocorrido em anos anteriores. Devido a essa lacuna, a agência aplicou um fator de ajuste técnico para garantir a integridade do processo regulatório.
Perspectivas para o próximo ciclo
O reajuste também traz diretrizes de longo prazo. A Aneel definiu as metas de perdas de energia para o período entre 2026 e 2030. Enquanto as perdas técnicas devem ser contidas em 5,4%, as perdas não técnicas — que incluem desvios e falhas de medição — possuem uma trajetória decrescente, começando em 7,3% e recuando para 6,79% ao final da década.
Com a conclusão deste processo, o setor elétrico em Santa Catarina segue monitorando a estabilidade dos preços, especialmente em um cenário onde o câmbio tem exercido um papel atenuante sobre os contratos de compra de energia.
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