O ministro do MEMP, Paulo Henrique Pereira, aponta que, apesar do peso dos pequenos negócios no PIB brasileiro, a burocracia e o acesso ao crédito ainda travam o crescimento internacional.
O cenário do empreendedorismo no Brasil celebra marcos históricos nas últimas décadas, especialmente com a consolidação do MEI e do sistema Simples. Entretanto, o Dia do Empreendedor, celebrado em 5 de agosto, trouxe à tona uma reflexão crítica sobre os entraves que ainda impedem o pleno desenvolvimento dos pequenos e médios empresários.
Para o ministro do Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP), Paulo Henrique Pereira, a produtividade desse setor vital para a economia nacional enfrenta barreiras estruturais. Entre os desafios mais urgentes estão o custo elevado do crédito e as dificuldades impostas por um ambiente de negócios que ainda carece de maior dinamismo e inovação.
O peso das pequenas empresas na economia
Os números justificam a atenção governamental sobre o tema. Atualmente, as pequenas e médias empresas são responsáveis pela geração de 70% dos postos de trabalho no país. Dos 100 milhões de brasileiros ocupados, 30 milhões atuam como empreendedores, sendo que o segmento já representa 30% do PIB nacional.
Apesar dessa força expressiva no mercado interno, a internacionalização permanece como um gargalo. Mesmo com a abertura de centenas de mercados e acordos diplomáticos de peso, as micro e pequenas empresas brasileiras ainda possuem uma participação tímida nas exportações.
“Nos últimos 20 anos, tivemos a construção de vários marcos legais e importantes para o empreendedorismo no Brasil. Criação do MEI, criação do Simples, e esses marcos explodiram o empreendedorismo. Hoje 70% dos empregos são empregos de pequenas e médias empresas; dos 100 milhões de brasileiros ocupados, 30 milhões de brasileiros são empreendedores.”
Caminhos para a internacionalização
O governo federal admite que o modelo atual precisa ser ajustado para incentivar que os pequenos negócios cruzem as fronteiras. Comparativamente a economias como a da União Europeia ou da China, onde o papel das microempresas na pauta exportadora é significativo, o Brasil ainda busca aumentar sua densidade nesta cadeia produtiva.
A proposta para o próximo ciclo é implementar novas modelagens que facilitem a inserção global, focando em setores específicos com maior potencial competitivo. O objetivo é transformar a estrutura burocrática atual, que muitas vezes desestimula o exportador de pequeno porte, em um ambiente mais ágil e menos oneroso.
A expectativa para os próximos meses é que o MEMP avance em políticas públicas focadas na desburocratização. O impacto esperado é que, ao destravar o potencial exportador dos pequenos empreendedores, o Brasil consiga equilibrar melhor sua balança comercial e diversificar a origem de suas receitas externas, fortalecendo a economia nacional de forma sustentável.
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