A Aneel aprovou um novo leilão de transmissão com investimentos de R$ 8,9 bilhões, visando expandir a rede elétrica em sete estados e fortalecer a infraestrutura energética nacional.
A diretoria da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) oficializou, em reunião extraordinária, a estrutura para o próximo leilão de transmissão de energia. Com foco estratégico na modernização e ampliação do Sistema Interligado Nacional (SIN), o certame deve movimentar vultosos recursos para garantir a segurança e a confiabilidade do fornecimento de eletricidade em diversas regiões brasileiras.
O leilão, programado para ocorrer em 30 de outubro na sede da B3, em São Paulo, prevê a viabilização de 1.866 quilômetros de novas linhas de transmissão. Além da expansão física da rede, o projeto visa adicionar 13.144 MVA de capacidade de transformação, um incremento fundamental para acompanhar o crescimento da demanda por energia limpa e sustentável no país.
Estrutura do leilão e foco regional
Sob a relatoria do diretor Gentil Nogueira de Sá Júnior, o certame foi organizado em nove lotes distintos, que podem resultar em até dez contratos de concessão. Os investimentos abrangem sete estados: Bahia, Goiás, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Paraná, Rondônia e São Paulo. A estimativa é que o conjunto de obras gere mais de 20 mil empregos diretos, impulsionando a economia local em diferentes polos do território nacional.
O lote 4 destaca-se por ser o maior, com investimentos previstos em R$ 4,1 bilhões. Ele é considerado um pilar estruturante para o atendimento elétrico no Mato Grosso do Sul e para o escoamento de energia renovável na região. Além disso, o projeto contempla reforços essenciais para áreas críticas, como a região metropolitana de Curitiba, o Sertão da Paraíba e o sistema elétrico que atende os estados de Rondônia e Acre.
Gestão de riscos e segurança jurídica
Uma decisão técnica importante marcou a aprovação da minuta: a retirada do sublote 4C do leilão. A decisão ocorreu após a Consulta Pública nº 6/2026, que identificou incertezas regulatórias e logísticas relacionadas a uma possível interligação internacional com a Bolívia. A prudência prevaleceu na avaliação da agência reguladora para evitar riscos aos futuros investidores.
“A exclusão do sublote 4C foi classificada pelo relator como uma medida prudencial, alinhada à segurança jurídica e à eficiência econômica do certame.”
Com essa definição, a Aneel busca garantir que apenas projetos com modelagens financeiras sólidas e cronogramas claros avancem para a etapa de disputa. O objetivo é manter a atratividade do setor para o capital privado e assegurar que as obras sejam entregues dentro dos prazos planejados, minimizando entraves que poderiam comprometer a eficiência do mercado de transmissão de energia.
Próximos passos e expectativas
Após a chancela da diretoria, a documentação segue agora para análise do Tribunal de Contas da União (TCU). De acordo com o calendário oficial da agência, o edital deve ser publicado em 30 de setembro, consolidando o início do processo de habilitação das empresas interessadas no certame. A expectativa é que, após a licitação e os trâmites burocráticos, a assinatura dos contratos ocorra em fevereiro de 2027.
Este leilão reforça o compromisso do Brasil com a expansão da infraestrutura necessária para integrar as novas fontes de energia sustentável ao SIN. Ao priorizar projetos que equilibram o desenvolvimento regional e a segurança do sistema, o governo sinaliza um ambiente favorável para o crescimento do setor elétrico na próxima década.























