A Confederação Nacional do Transporte (CNT) defende a ampliação do refino de combustíveis no Brasil para garantir maior autonomia energética e estabilidade nos preços de combustíveis, protegendo o mercado de flutuações globais.
O Brasil se encontra em um ponto crucial para sua segurança energética. A necessidade de expandir a capacidade de refino de combustíveis no país é cada vez mais evidente, visando mitigar a dependência externa e blindar a economia dos choques de preços internacionais. Este cenário se tornou ainda mais premente diante das oscilações do mercado global de petróleo, exacerbadas por tensões geopolíticas.
A Confederação Nacional do Transporte (CNT), por meio de seu presidente, Vander Costa, tem sido uma voz ativa nesse debate, destacando a urgência de investimentos no setor de energia. Em entrevista ao programa _Conexão Infra_, Costa ressaltou que a recente alta do petróleo, provocada por conflitos internacionais, sublinhou a fragilidade brasileira e a indispensabilidade de um robusto desenvolvimento da infraestrutura energética nacional.
A Urgência da Autonomia Energética
Para a CNT, as ações paliativas do governo federal para conter a escalada dos preços de combustíveis, embora tenham oferecido alívio imediato à inflação, são meramente temporárias. Vander Costa enfatiza que essas são “soluções de curto prazo” e que o caminho para uma estabilidade duradoura reside na capacidade produtiva interna. A falta de refino nacional suficiente nos deixa vulneráveis a eventos externos, comprometendo a previsibilidade econômica e a própria capacidade de abastecimento.
Impactos das Crises Globais e a Estratégia de Preços
A lógica de mercado, segundo Vander Costa, é implacável: se o Brasil não ajustar os preços internos de combustíveis, especialmente do diesel, aos níveis internacionais em momentos de alta, o risco de desabastecimento se torna real e mais prejudicial do que o próprio aumento.
“A melhor solução quando aumenta o preço do óleo diesel no mercado internacional é acompanhar, porque se o Brasil não aumentar o preço do diesel ao nível internacional, vai faltar, e a falta é pior do que o sobrepreço.”
Essa perspectiva evidencia a complexidade de gerenciar a política de preços sem uma sólida base de refino nacional.
Riscos Fiscais e a Visão de Longo Prazo
Nos últimos meses, o governo recorreu a subsídios temporários para aliviar os impactos da valorização do petróleo sobre a gasolina e o diesel. No entanto, Vander Costa alerta que, embora tais medidas sejam válidas em cenários de crise aguda, sua manutenção prolongada acarreta sérios ônus fiscais. A continuidade de políticas energéticas baseadas em subsídios pode gerar pressões ascendentes na taxa Selic e na inflação, comprometendo a saúde econômica do país a longo prazo.
A ampliação da capacidade de refino de combustíveis surge, assim, como uma estratégia fundamental para o Brasil. Ao investir em sua própria infraestrutura energética, o país não apenas fortalece sua segurança energética e reduz a dependência externa, mas também pavimenta o caminho para um setor mais resiliente e menos suscetível às turbulências globais. Essa é uma medida estratégica que garante maior estabilidade econômica e operacional, essencial para o desenvolvimento de um futuro mais sustentável, onde o fornecimento de energia seja confiável e os preços de combustíveis, mais estáveis.






















