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A Indústrias Nucleares do Brasil busca viabilidade através da expansão de usinas ou do mercado externo de urânio.
O futuro da Indústrias Nucleares do Brasil (INB) está intrinsecamente ligado à expansão de sua capacidade produtiva e ao alcance de novos mercados. Segundo a visão de Celso Cunha, presidente da Associação Brasileira para Desenvolvimento das Atividades Nucleares (Abdan), a estatal necessita de um aumento significativo na produção de urânio para atingir a sua plena viabilidade econômica. As rotas apontadas para este objetivo são claras: ou o Brasil amplia seu parque de usinas nucleares para, no mínimo, quatro unidades em operação, ou a INB deve focar na consolidação da exportação de urânio.
Atualmente, a produção brasileira de urânio, na forma de concentrado (yellowcake), situa-se em torno de 100 toneladas anuais. Para que a cadeia produtiva do combustível nuclear ganhe escala e se torne economicamente sustentável, a Abdan estima que a INB precise elevar essa produção para um intervalo entre 800 e 1.200 toneladas por ano. Essa meta ambiciosa visa não apenas suprir a demanda interna crescente, mas também abrir portas para o mercado internacional, diluindo os custos associados à mineração, enriquecimento e fabricação do combustível.
A importância de Angra 3 e a estratégia de diversificação
A dependência da INB em relação ao fornecimento para a Eletronuclear, responsável pelas usinas Angra 1 e Angra 2, representa cerca de 95% de sua receita. Essa concentração de mercado limita o potencial de crescimento da empresa. A demanda atual dessas duas usinas é de aproximadamente 470 toneladas de concentrado de urânio a cada 16 meses.
A perspectiva de entrada em operação da usina Angra 3, cujo futuro ainda está sob análise do governo federal e do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), bem como a possível construção de uma quarta usina nuclear, são vistas pela Abdan como cruciais para absorver integralmente a capacidade de enriquecimento da INB. Isso resultaria na redução da ociosidade da infraestrutura instalada e, consequentemente, na otimização dos custos operacionais.
Projeto Santa Quitéria e o potencial de exportação
Para além da demanda doméstica, a Abdan aposta no Projeto Santa Quitéria, no Ceará, como um pilar para o aumento da produção de urânio. Este consórcio, formado pela INB e pela Galvani, visa explorar uma jazida onde o urânio coexiste com o fosfato, abrindo a possibilidade de produção simultânea de combustível nuclear e fertilizantes. A projeção é que este projeto, por si só, possa entregar 800 toneladas de urânio anuais, além de 120 mil toneladas de fosfato, tornando a operação economicamente atrativa.
Caso a expansão do parque nuclear brasileiro não avance no ritmo desejado, a exportação se apresenta como a alternativa estratégica principal. A INB está estruturando o Programa Pró-Urânio, focado no arrendamento de direitos minerários para pesquisa e lavra em áreas com potencial geológico promissor em Goiás, Paraíba e Paraná.
O cenário global atual, com a crescente valorização da energia nuclear impulsionada pelas metas de descarbonização e a busca por segurança energética, posiciona o urânio como um mineral estratégico. A ascensão dos pequenos reatores modulares (SMRs) em diversos países também sinaliza uma demanda futura ainda maior por urânio, reforçando a importância de o Brasil se preparar para aproveitar essas oportunidades no mercado internacional.























