Alumínio brasileiro se consolida como referência global em sustentabilidade, com emissões 3,5 vezes menores que a média mundial.
O setor do alumínio no Brasil está na vanguarda da transição energética e da descarbonização industrial. Com um diferencial competitivo notável, a produção brasileira de alumínio primário registra emissões 3,5 vezes inferiores à média global. Essa conquista, aliada a altas taxas de reciclagem e a uma trajetória consistente de redução de emissões próprias, posiciona o país como um benchmark internacional em energia limpa e sustentabilidade.
Os avanços do setor refletem investimentos estratégicos em processos produtivos mais eficientes e menos poluentes. Em sintonia com políticas climáticas globais e nacionais, e detentor de certificações reconhecidas internacionalmente, o alumínio brasileiro consolida a sustentabilidade como um pilar fundamental de sua operação, reforçando o papel do Brasil na construção de uma economia de baixo carbono.
Alumínio na Agenda Climática Nacional: Políticas e Certificações
O setor do alumínio tem sido um participante ativo na formulação de políticas climáticas cruciais no Brasil, como o Plano Clima e a Estratégia Nacional de Descarbonização da Indústria (ENDI). Essa colaboração visa harmonizar as diretrizes e metas dessas iniciativas com as particularidades da indústria energointensiva. O alumínio brasileiro também se destaca na Taxonomia Sustentável, cumprindo critérios rigorosos de emissões, reciclabilidade e sua essencialidade em equipamentos para a transição energética, como painéis solares, fios e cabos, turbinas e baterias.
Além disso, as chapas laminadas de alumínio foram escolhidas como produto-piloto no Programa Selo Verde Brasil, iniciativa do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Essa seleção sublinha o protagonismo do setor na criação de mecanismos de sustentabilidade industrial e seu alinhamento com as mais importantes certificações internacionais.
Mercado de Carbono e Financiamento: Um Cenário Promissor
Uma das prioridades para o setor é impulsionar a regulamentação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE). Na fase inicial, o foco do governo é estabelecer um robusto processo de relato de emissões, avaliando a maturidade dos setores nessa prática, as metodologias empregadas e consolidando um panorama das emissões, especialmente nos segmentos energointensivos.
A Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) tem desempenhado um papel ativo, participando de workshops e visitas técnicas com representantes do governo. O objetivo é aprofundar o conhecimento sobre o processo produtivo do setor, seus desafios, oportunidades e os avanços na agenda de descarbonização. Essas interações também destacam o compromisso da indústria com o monitoramento, relato e verificação de suas emissões de gases de efeito estufa, em conformidade com padrões internacionais como o GHG Protocol, normas ISO e a Aluminium Stewardship Initiative (ASI).
Investimentos e Oportunidades na Descarbonização
Reconhecendo a magnitude dos investimentos necessários para a descarbonização, a ABAL tem buscado articulações estratégicas com instituições nacionais e internacionais. O foco é identificar linhas de financiamento alinhadas ao perfil da indústria, especialmente para projetos de descarbonização, fortalecimento do conteúdo local e reciclagem.
“O Brasil reúne atributos que o colocam em posição de destaque na transição para uma economia de baixo carbono, como uma matriz elétrica predominantemente renovável, elevados índices de reciclagem e uma indústria engajada na agenda de descarbonização. Esse contexto torna o alumínio brasileiro um ativo estratégico para uma economia mais sustentável e competitiva. A descarbonização industrial, portanto, não deve ser vista apenas como um desafio ambiental, mas também como uma importante oportunidade de desenvolvimento econômico para o país.” – afirma Janaina Donas, presidente-executiva da ABAL.
Base Técnica e Rota Estratégica: Inventário e Reciclagem
O Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa da ABAL revela que a produção brasileira de alumínio primário opera com cerca de 3 tCO₂e/t, um valor aproximadamente 3,5 vezes inferior à média global de 11 tCO₂e/t. Entre 2019 e 2024, o Brasil alcançou uma redução de 27% em suas emissões específicas, superando a média mundial de 13%. Com o avanço de tecnologias como eletrificação industrial, substituição de combustíveis fósseis e captura de carbono, o setor vislumbra um potencial de redução ainda maior até 2050.
A reciclagem emerge como uma estratégia chave para a descarbonização, oferecendo eficiência e baixo custo, além de ser um ativo estratégico para o suprimento. Atualmente, 60% do alumínio consumido no país provém da reciclagem. Esse processo consome 95% menos energia em comparação com a produção de metal primário.
O Brasil mantém um índice de reciclagem de latas de alumínio para bebidas superior a 96% há mais de 15 anos, garantindo segurança de suprimento e competitividade global com uma menor pegada de carbono. A economia circular fortalece a segurança de suprimento de matéria-prima e reduz a dependência de recursos naturais, consolidando o modelo brasileiro como ambientalmente superior e estrategicamente resiliente.























