Um novo estudo revela que o agronegócio brasileiro responde por cerca de 60% de toda a energia renovável do país, consolidando a bioenergia como um pilar essencial para a transição energética e a sustentabilidade nacional.
O agronegócio brasileiro é amplamente reconhecido por sua força na produção de alimentos, fibras e matérias-primas.
No entanto, um levantamento recente demonstra que o setor desempenha um papel fundamental na oferta de energia renovável e na busca global por segurança energética.
A expansão da bioenergia coloca o país em uma posição de destaque na redução das emissões de gases de efeito estufa.
De acordo com o estudo do Observatório de Conhecimento e Inovina em Bioeconomia da Fundação Getulio Vargas (FGV), a oferta de energia associada ao campo saltou expressivamente entre 1970 e 2025.
O volume passou de 6,5 milhões de toneladas equivalentes de petróleo para impressionantes 97,8 milhões de tep, registrando o maior patamar da série histórica e evidenciando a força econômica do setor no mercado de energia limpa.
Avanço na Matriz Energética
Esse crescimento acelerado transformou a participação do setor na matriz energética brasileira.
Em 1970, a bioenergia representava 9,7% da oferta interna de energia, saltando para 29,8% em 2025.
O impacto é ainda mais expressivo quando analisado o segmento de energia renovável, onde o agronegócio respondeu por aproximadamente 60% de toda a oferta em 2025, superando fontes tradicionais e consolidando novas frentes de desenvolvimento sustentável.
Entre 2021 e 2025, a oferta total de energia limpa no Brasil subiu de 136,7 milhões para 162,3 milhões de tep.
Nesse mesmo período, a bioenergia do setor avançou 16%.
Esse cenário ocorreu de forma complementar à expansão das energias eólica e solar, mostrando uma diversificação eficiente da matriz sem perder o foco na biomassa agropecuária e florestal.
Diversificação e Consumo na Economia
Embora a cana-de-açúcar siga como a principal fonte, o estudo aponta uma diversificação importante.
A oferta agora inclui lenha e carvão vegetal da silvicultura energética, óleos vegetais, lixívia, biogás e biomassas voltadas à produção de biocombustíveis.
Essa variedade demonstra a versatilidade do setor produtivo na geração de fontes alternativas.
A distribuição dessa energia renovável atinge diferentes setores da economia nacional.
O próprio agronegócio consumiu 55% da energia gerada pelas suas cadeias, enquanto a indústria respondeu por 45% e o setor de transportes por 26%, provando a capilaridade dessas soluções energéticas.
Luciano Rodrigues afirmou:
Em 2025, o agronegócio brasileiro alcançou a maior oferta de energia renovável de toda a série histórica. Esse recorde traduz, de um lado, a impressionante capacidade do campo de capturar a energia solar e transformá-la em energia útil e competitiva para a sociedade e, de outro, o avanço da demanda por soluções de baixo carbono, em um cenário com a ampliação das políticas de descarbonização no país.
O coordenador do núcleo de bioenergia da FGV, Luciano Rodrigues, destaca que a evolução veio acompanhada de uma transformação profunda na composição das fontes.
Segundo o especialista, o produtor rural e a agroindústria assumiram um papel que vai além do fornecimento de alimentos, tornando-se fundamentais para movimentar a economia com energia de baixo carbono.
A consolidação da bioenergia no Brasil reforça a importância de alinhar a produção agrícola às metas globais de sustentabilidade.
Com projeções de crescimento contínuo e políticas voltadas à descarbonização, o agronegócio reafirma seu compromisso com o futuro energético, garantindo que o país continue liderando a transição para uma economia verde e de baixo impacto ambiental nas próximas décadas.












