ABGD e UNIFEI embarcam em missão global para impulsionar a energia limpa no Brasil.
A Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD) e a Universidade Federal de Itajubá (UNIFEI), em colaboração com o Centro de Excelência em Eficiência Energética (EXCEN) e a Fundação Theodomiro Santiago (FTS), iniciam uma jornada exploratória de âmbito internacional. O objetivo principal é absorver conhecimento e identificar soluções inovadoras para a modernização das redes elétricas e a expansão da micro e minigeração distribuída (MMGD) em território brasileiro.
Esta iniciativa pioneira visa aproximar o Brasil de experiências consolidadas em mercados que já integram de forma significativa recursos energéticos distribuídos (DER), armazenamento em baterias (BESS), digitalização de redes e a atuação estratégica do Operador do Sistema de Distribuição (DSO). A missão, que ocorrerá entre o final de agosto de 2026 e março de 2027, é um passo crucial para adaptar o setor elétrico nacional aos desafios e oportunidades da transição energética.
Desafios da Expansão da MMGD e a Necessidade de Redes Modernas
O expressivo crescimento da geração distribuída tem imposto novas demandas às redes elétricas. O fluxo de energia, antes predominantemente unidirecional, agora se torna mais complexo, exigindo ferramentas avançadas de monitoramento, controle e gestão. A missão técnica busca compreender como países com maior penetração de MMGD têm adaptado suas infraestruturas, modelos operacionais e arcabouços regulatórios.
O intercâmbio de conhecimento é visto como um pilar fundamental para a evolução do setor. “O intercâmbio de conhecimento é fundamental para aproximar o Brasil das melhores práticas globais e fortalecer soluções alinhadas aos desafios do nosso setor elétrico, especialmente para garantir que a rede esteja pronta para absorver o crescimento da geração distribuída”, afirma Christino Áureo da Silva, conselheiro e vice-presidente de Relações Institucionais e Governamentais da ABGD. A agenda abrange ainda discussões sobre flexibilidade, digitalização e novos modelos de operação.
O Papel Evolutivo do DSO e a Busca por Flexibilidade Regulatória
A transformação do setor elétrico levanta discussões importantes sobre o papel das distribuidoras e a potencial adoção de modelos mais próximos do conceito de DSO. Essa nova configuração implicaria em uma maior capacidade de coordenação e gestão dos recursos energéticos distribuídos.
A etapa europeia terá início em Paris, com a participação no Distribution Day do CIGRÉ 2026, um evento de referência mundial. Posteriormente, reuniões em Londres e Colônia aprofundarão a análise de mecanismos regulatórios, estratégias de flexibilidade e novas abordagens de gestão de redes.
Luiz Fernando Leone Vianna, diretor-presidente da ABGD, ressalta a importância prática da missão: “Essa missão vai trazer aprendizados práticos de mercados que já estão lidando com alta penetração de recursos energéticos distribuídos e vai ajudar o Brasil a construir regulações e modelos de negócio mais eficientes e seguros para os consumidores e para o sistema.” A interação com diferentes agentes, incluindo consumidores e operadores de sistema, também está no foco.
China: Referência em Tecnologia de Rede e Armazenamento de Energia
Novembro de 2026 marcará a segunda fase da missão, com visitas a Pequim e Shenzhen, na China. O foco se concentrará na aplicação de tecnologias de rede, integração da geração distribuída e o desenvolvimento de soluções de armazenamento de energia e sistemas digitais para o conceito de DSO.
O objetivo é observar a aplicação em larga escala dessas tecnologias e identificar soluções que possam ser adaptadas à realidade técnica, regulatória e econômica do Brasil.
Califórnia: Epicentro de Inovação e Experiência em Redes Inteligentes
A última etapa da missão, prevista para março de 2027, ocorrerá na Califórnia, nos Estados Unidos. Com agendas em San Diego e Los Angeles, o foco será a intersecção entre tecnologia, regulação e inovação, além de experiências práticas de concessionárias com redes de alta penetração de MMGD e DER.
A escolha da Califórnia se justifica pela sua liderança em discussões sobre integração de geração distribuída, armazenamento, flexibilidade e digitalização de redes. “Cada destino foi escolhido por uma característica específica”, explica o vice-presidente da ABGD. “A Califórnia reúne casos avançados de integração entre mercado, concessionárias e inovação com foco em DER.”
A missão contará com a participação de diversos atores, incluindo concessionárias, fabricantes, universidades e formuladores de políticas públicas. A curadoria técnica será conduzida pela Thymos Energia, garantindo a estruturação da agenda e a organização dos aprendizados. A iniciativa busca traduzir o conhecimento adquirido em recomendações práticas, visando remover barreiras e impulsionar o crescimento sustentável da geração distribuída no Brasil.























