A ENBPar projeta o Brasil como exportador global de combustível nuclear, impulsionado pelo avanço dos data centers e pelo fortalecimento do Programa Pró-Urânio.
O cenário energético global passa por transformações que recolocam a energia atômica em evidência, e o Brasil planeja assumir um papel de destaque nesse mercado. A ENBPar (Empresa Brasileira de Participações em Energia Nuclear e Binacional) vislumbra a oportunidade de exportar o excedente da produção nacional de combustível nuclear.
Essa projeção ganha força com a crescente demanda de grandes data centers instalados no país e a busca mundial por fontes limpas e constantes. A estratégia está ancorada na retomada dos investimentos no setor produtivo de minério e na ampliação da infraestrutura existente.
Durante participação no evento EVEx Lisboa 2026, a liderança da estatal reforçou que o país precisa aproveitar o momento favorável do mercado internacional para consolidar a cadeia produtiva do urânio.
O avanço do Programa Pró-Urânio e investimentos
Para estruturar essa expansão, a ENBPar estruturou o Programa Pró-Urânio em parceria com o BNDES e as INB (Indústrias Nucleares do Brasil). O projeto visa atrair capital privado para otimizar a exploração das reservas nacionais.
O plano contempla estudos em cinco jazidas localizadas em cinco estados, cobrindo etapas fundamentais como a conversão e o enriquecimento do mineral. A meta primordial é garantir a autossuficiência das usinas brasileiras antes de enviar o insumo ao exterior.
Em declaração prestada durante a conferência, a presidência da empresa ressaltou a relevância de atender novos polos tecnológicos e expandir as exportações para o mercado internacional:
“A gente vê que já é um fato: a gente tem grandes data centers vindo para o Brasil e a gente pode, sim, atender essas demandas tanto nacionais e o excedente desse nosso elemento combustível nossa ambição é levar isso para as outras nações, a gente poder ser um player mundial no fornecimento de elemento combustível”
Perspectivas para as usinas de Angra e o mercado global
Além de abastecer Angra 1 e Angra 2, a cadeia integrada deve garantir o fornecimento para o projeto de Angra 3. A conclusão da terceira usina é aguardada com otimismo pela diretoria da estatal.
Atualmente, o CNPE e o BNDES analisam os possíveis impactos tarifários da empreitada. Há expectativa de que um posicionamento favorável para a retomada das obras seja anunciado em breve.
O diretor-presidente da estatal, Marlos Costa, enfatizou que o cumprimento desse cronograma é decisivo para que o país não perca prazos estratégicos no cenário internacional.
A consolidação do Brasil como fornecedor global de combustível nuclear representa um passo relevante para a soberania energética e para o fortalecimento da balança comercial.
Com o avanço das parcerias e definições regulatórias, o setor atômico nacional busca alinhar sua capacidade produtiva com as novas exigências da transição energética.









