Paraguai eleva consumo de Itaipu, diminuindo cota brasileira e potencialmente elevando custos de energia.
O aumento da demanda paraguaia pela energia gerada pela usina hidrelétrica de Itaipu, especialmente durante o horário de pico, deve impactar a disponibilidade de eletricidade para o Brasil. Um estudo recente aponta que essa mudança, prevista para se acentuar a partir de 2027, pode levar a uma maior dependência do país em usinas termelétricas, com consequente pressão sobre os preços da energia elétrica até 2029.
A Administração Nacional de Eletricidade (Ande), estatal paraguaia, projeta um crescimento em sua demanda de pico, passando de 4 GW em 2026 para 4,7 GW em 2029. Esse incremento ocorre em um momento crítico para o Sistema Interligado Nacional (SIN) brasileiro, que já enfrenta alta procura no fim da tarde.
A menor disponibilidade de energia de Itaipu pode forçar o acionamento de termelétricas, conhecidas por terem custos operacionais mais elevados, o que, por sua vez, tende a elevar os preços marginais da eletricidade.
O Equilíbrio Energético de Itaipu Sob Nova Perspectiva
A usina de Itaipu, dividida igualmente entre Brasil e Paraguai em sua produção, historicamente funcionava com o Paraguai consumindo uma parcela menor de sua cota e vendendo o excedente ao Brasil. No entanto, essa dinâmica tem se alterado significativamente.
De 2023 a 2025, a demanda paraguaia já registrou crescimentos anuais expressivos, impulsionada, em parte, pelo avanço de atividades como mineração de criptomoedas e data centers, que demandam fornecimento contínuo e robusto de eletricidade.
Esse crescimento no consumo paraguaio significa uma redução direta na quantidade de energia excedente de Itaipu que pode ser adquirida pelo Brasil. O problema se agrava quando essa demanda elevada coincide com o horário de pico brasileiro, especialmente entre abril e setembro.
Os analistas Fillipe Andrade, Lucas Guimarães e Lorena Fernandez, do Itaú BBA, afirmaram:
A demanda da Ande nesse horário poderá alcançar 4,7 GW em 2029. Isso representa aproximadamente 700 megawatts adicionais em relação à projeção de 2026.
A preocupação não reside em uma interrupção do abastecimento brasileiro, mas na necessidade de recorrer a fontes de geração mais onerosas.
Projeções de Custos e Impactos nas Distribuidoras
O estudo do Itaú BBA estima um aumento na geração termelétrica entre 2027 e 2029, com crescimento anual próximo de 11%. Essa elevação na dependência de termelétricas, aliada à menor oferta de energia hidrelétrica de Itaipu, deve pressionar os preços marginais da eletricidade.
Projeções indicam um aumento do preço marginal médio de R$ 40 para R$ 59 por megawatt-hora (MWh), embora seja crucial ressaltar que este valor não reflete diretamente o preço final pago pelos consumidores residenciais.
A mudança na disponibilidade de energia de Itaipu também lança um alerta para as distribuidoras brasileiras. A Associação Brasileira de Distribuidoras de Energia Elétrica (Abradee) manifestou preocupação com a possibilidade de as empresas iniciarem 2027 com contratos de fornecimento aquém de suas necessidades.
A redução nas cotas de Itaipu pode chegar a 32,3% em determinados cenários, segundo cálculos da entidade.
A entidade solicitou uma definição antecipada da parcela destinada à Ande e maior flexibilidade para ajustar as contratações. Essa questão se torna ainda mais relevante diante dos Leilões de Energia Existente A-1, A-2 e A-3, programados para novembro de 2026, onde contratos para fornecimento a partir de 2027 serão definidos.
Uma clara visibilidade sobre a energia de Itaipu disponível para contratação é fundamental para o planejamento energético brasileiro nos próximos anos.









