A EDP defende a criação de um mercado competitivo de serviços de sistema no Brasil para impulsionar a flexibilidade do setor elétrico diante do avanço das fontes renováveis.
O panorama energético nacional exige transformações profundas na forma como a eletricidade é gerada, distribuída e consumida. Com a forte expansão das energias limpas e intermitentes, o Brasil enfrenta o desafio crescente de equilibrar a oferta e a demanda em tempo real, garantindo a segurança operacional do sistema.
Durante sua participação no evento Brazil WindPower, João Brito Martins, CEO da EDP na América do Sul, apontou que a estruturação de um ambiente competitivo para serviços sistêmicos é o caminho mais eficiente para superar esse gargalo. Para o executivo, o modelo deve permitir que diferentes tecnologias disputem o fornecimento de suporte à rede, sem restrições prévias a soluções específicas.
O Modelo Ibérico como Inspiração para o Setor Elétrico
Ao defender a abertura desse novo mercado, o executivo utilizou como referência o modelo adotado em Portugal e na Espanha. Nesses países europeus, a contratação competitiva de recursos garante que a solução mais adequada seja acionada conforme a necessidade exata de cada momento operacional.
Dessa forma, tecnologias de armazenamento, como baterias, ganham protagonismo para mitigar as variações de geração. Contudo, a liderança da EDP reforça que o armazenamento isolado não resolve todas as demandas estruturais do sistema brasileiro.
João Brito Martins afirmou:
Temos que trabalhar muito na tecnologia, que as baterias são o que nos podem ajudar, mas não só. Temos que trabalhar em redes.
Investimentos em Infraestrutura e o Papel das Distribuidoras
Além das inovações tecnológicas no armazenamento, o avanço do setor depende de aportes robustos em transmissão e distribuição de energia. A ampliação da capacidade das redes é vista como essencial para eliminar gargalos regionais, escoar excedentes e viabilizar a conexão de novos grandes consumidores, a exemplo dos data centers.
As concessionárias de distribuição também passam por uma profunda mutação em suas funções tradicionais. Com a alta penetração da geração distribuída, essas empresas assumem um papel ativo na gestão de excedentes locais, exigindo maior digitalização e a implementação de sinais econômicos mais assertivos para os consumidores.
Desafios Regulatórios e o Futuro da Competitividade
Outro ponto nevrálgico debatido no setor envolve os cortes de geração renovável, conhecidos como curtailment. Para a EDP, a sobrecapacidade atual decorre de decisões passadas de política pública, evidenciando a urgência de um planejamento mais rigoroso e de aprimoramentos regulatórios que garantam atratividade e remuneração justa para novos investimentos em infraestrutura.
A modernização dos sinais de preço, incluindo revisões no funcionamento do PLD horário, também figura entre as prioridades para estimular o uso eficiente da energia. Para o futuro, a consolidação desses pilares servirá como alicerce para assegurar que a transição energética brasileira funcione como um vetor de atração de capitais e expansão econômica sustentável.












