O ONS propôs à Aneel que novas usinas de energia comprovem capacidade de suprimento nos horários de pico, podendo utilizar baterias ou outras tecnologias para garantir a estabilidade do SIN.
A expansão expressiva das matrizes renováveis intermitentes no Brasil tem exigido mudanças profundas na gestão da infraestrutura elétrica nacional. Nesse cenário de transição energética, o Operador Nacional do Sistema Elétrico encaminhou uma proposta técnica à Agência Nacional de Energia Elétrica para estabelecer novas exigências de desempenho aos futuros projetos de geração.
A iniciativa visa regulamentar os preceitos de capacidade, controle e armazenamento definidos recentemente no setor. A ideia central é que cada novo empreendimento demonstre contribuição efetiva durante os períodos de maior estresse do Sistema Interligado Nacional, assegurando que o suprimento acompanhe as oscilações diárias de consumo e oferta.
Critérios para o Horário Crítico
Pela diretriz em análise, o ONS sugere que a exigência seja proporcional à atuação de cada usina na janela de maior criticidade, estimada preliminarmente em um intervalo de três a quatro horas. Em vez de impor percentuais rígidos e padronizados, a metodologia avalia o comportamento individual de cada fonte perante as necessidades da rede.
Um exemplo prático envolve os parques solares. Como a geração fotovoltaica cessa no período noturno, esses empreendimentos poderiam recorrer a sistemas de armazenamento de energia em baterias ou à hibridização com outras fontes para cumprir a obrigação de entrega estipulada.
A proposta do ONS consiste em considerar a contribuição de cada empreendimento para o atendimento das necessidades do sistema, sem determinar a tecnologia exata a ser utilizada.
Flexibilidade Operativa e Controle Avançado
Além da entrega de potência nas horas de maior demanda, o órgão operador enfatizou a urgência de valorizar atributos técnicos voltados à flexibilidade. Aspectos como rampas de acionamento, tempos de resposta e capacidade de modulação tornam-se fundamentais para absorver as variações severas na carga líquida, intensificadas pela entrada massiva de energia solar.
O estudo também aponta que recursos modernos, a exemplo de baterias operando em modo específico de estabilização de rede, desempenham um papel vital na oferta de inércia sintética. Esses mecanismos fortalecem o controle de frequência e tensão frente à proliferação de inversores eletrônicos.
As discussões sobre essas diretrizes integram a agenda regulatória da agência reguladora e convergem com debates sobre o rateio de custos de encargos setoriais. Paralelamente, a Empresa de Pesquisa Energética avalia inserir a flexibilidade como pilar oficial na garantia de suprimento, consolidando um novo marco para a segurança energética do país nos próximos anos.















