Com investimento de R$ 1,5 bilhão, a Be8 começou a estocar trigo para sua nova fábrica em Passo Fundo, focada na produção sustentável de etanol e alimentos.
O avanço da transição energética no Brasil ganha mais um capítulo estratégico no Sul do país.
A Be8 iniciou o recebimento das primeiras remessas de trigo em seu novo complexo industrial localizado em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul.
Com aporte financeiro superior a R$ 1,5 bilhão, a iniciativa visa transformar a matriz produtiva gaúcha ao utilizar cereais de inverno para a fabricação de biocombustíveis e insumos alimentícios.
A movimentação antecipada do grão ocorre em paralelo ao andamento das obras da estrutura, garantindo o abastecimento para a futura fase de operação da planta.
Capacidade produtiva e impacto no mercado
O projeto foi desenhado para processar anualmente cerca de 525 mil toneladas de cereais.
Embora o foco principal seja o trigo, a tecnologia empregada permite o processamento de triticale, milho e outras culturas compatíveis.
Em termos de entrega, a estimativa é atingir uma fabricação de 210 milhões de litros de etanol por ano, fortalecendo a oferta de combustíveis limpos no mercado nacional.
Além do biocombustível, a unidade vai gerar 26,9 mil toneladas de glúten vital e 153 mil toneladas de DDGS, coproduto de alto valor nutricional destinado à cadeia de nutrição animal.
Integração com o agronegócio regional
A estocagem inicial coincide com a colheita no estado do RS, onde a Emater/RS-Ascar prevê uma área cultivada de 814,2 mil hectares e rendimento médio de 2.701 quilos por hectare.
Para assegurar o fornecimento de matéria-prima, a Be8 estruturou um programa de fomento que engaja agricultores locais, cooperativas e revendas, garantindo a compra da produção participante.
Erasmo Carlos Battistella, presidente da Be8, afirmou:
“O início do recebimento do trigo aproxima a indústria do produtor e dá um passo concreto na construção dessa cadeia”
Cronograma e perspectivas futuras
A conclusão da construção civil está agendada para o final do ano, dando lugar à fase de testes industriais e comissionamento de equipamentos em janeiro de 2027.
A expectativa da companhia é alcançar a plena operação comercial ainda durante o primeiro trimestre de 2027, consolidando sua presença no setor de energias renováveis.
A iniciativa reforça o papel do agronegócio regional na transição para fontes limpas, agregando valor às safras de inverno e impulsionando a descarbonização da economia nacional.
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