Associações do setor elétrico exigem testes retrospectivos rigorosos e períodos de operação-sombra prolongados antes da substituição definitiva dos modelos de planejamento Newave e Decomp, visando garantir segurança e previsibilidade.
A modernização dos modelos computacionais que regem o planejamento da operação e a formação de preços no sistema elétrico brasileiro está sob intenso escrutínio. Representantes de comercializadores, grandes consumidores e geradores de energia formalizaram, junto ao Comitê Técnico PMO/PLD, o pedido de critérios de validação mais rigorosos para a futura substituição dos modelos Newave e Decomp.
Embora o setor reconheça a necessidade urgente de atualizar as ferramentas de gestão energética, o consenso entre os agentes é de que a transição não pode ser precipitada. A preocupação central reside na robustez do novo software e na garantia de que ele ofereça resultados condizentes com a realidade operativa e econômica do país.
Exigência de transparência e testes
As entidades, incluindo a Abraceel e a Abeeólica, propuseram a realização de backtests abrangendo, no mínimo, cinco anos de histórico operacional. O objetivo é submeter a nova ferramenta a períodos de hidrologia crítica, permitindo uma comparação fiel entre o desempenho do modelo em desenvolvimento e os resultados obtidos pelos modelos atuais sob premissas idênticas.
Além dos testes retrospectivos, a recomendação de um período de “operação-sombra” ganhou força. A proposta é que o novo software funcione paralelamente ao sistema oficial por, pelo menos, 12 meses. Para associações como a Abiape, essa cautela é fundamental para evitar falhas sistêmicas, sugerindo até dois anos de convivência entre os sistemas caso a complexidade da nova tecnologia seja elevada.
A proposta das entidades envolve comparar os resultados do novo modelo com aqueles produzidos pela cadeia vigente, considerando as mesmas premissas, parâmetros de entrada e amostragem.
Critérios técnicos e governança
A definição de indicadores de sucesso antes da implementação é outro ponto de divergência e debate. O mercado solicita métricas claras que avaliem o custo marginal de operação (CMO), o preço de liquidação das diferenças (PLD), a política operativa e a velocidade de convergência computacional.
A Apine e outros agentes reforçam a necessidade de que o software final apresente o acoplamento adequado com o modelo Dessem. O Cepel também destacou que a precisão nos requisitos funcionais e a clareza na governança de dados são pilares essenciais para assegurar a confiabilidade da plataforma que substituirá os legados atuais.
Caminho para a inovação
O debate também toca a autonomia tecnológica. Enquanto o ONS trabalha no desenvolvimento do modelo Cobre, o mercado debate se a solução ideal virá de um projeto interno do operador ou de um processo competitivo aberto a fornecedores externos.
A expectativa é que as contribuições colhidas na consulta externa, encerrada recentemente, sirvam de base para um cronograma mais seguro. O setor elétrico aguarda agora a consolidação dos próximos passos para garantir que a transição tecnológica ocorra sem sobressaltos e com total transparência para todos os agentes do mercado.














