Durante a ABM Week 10, especialista apresentou 45 anos de dados sobre a evolução das fontes energéticas na siderurgia nacional, destacando avanços expressivos em energia limpa, eficiência operacional e os desafios rumo à total descarbonização do setor.
O Brasil tem dado passos firmes e consistentes quando o assunto é o uso de energia limpa na indústria siderúrgica e o aprimoramento do aproveitamento energético. Essa evolução foi o tema central da palestra apresentada por André Frias, especialista de planejamento de energia e utilidades na Ternium, durante a Sessão Especial do 45º Seminário de Energia e Transição Energética, realizado na 10ª edição da ABM Week.
Com base em uma pesquisa minuciosa em arquivos históricos da antiga estatal Siderbrás, o executivo compilou quatro décadas e meia de indicadores sobre as fontes energéticas utilizadas nas principais usinas do país. O levantamento revela como o setor não apenas acompanhou as transformações econômicas e tecnológicas globais, mas também alcançou patamares notáveis de eficiência e autossuficiência na geração de eletricidade.
O Legado da Pesquisa e o Estado da Siderurgia Nacional
A análise dos documentos históricos permitiu traçar um panorama detalhado da produção de aço no Brasil desde os anos 1980, abrangendo usinas estratégicas localizadas em estados como Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Segundo os dados apresentados por André Frias, a produção nacional registrou crescimento contínuo, acompanhado por um índice de aproveitamento global que atinge impressionantes 92%.
Outro marco comemorado pelo especialista é a balança energética recente:
entre 2020 e 2024 nós temos gerado mais energia do que consumimos
pontua. Essa autonomia reflete a maturidade de um setor que superou crises históricas, como o Plano Collor, o racionamento de 2001 e a pandemia, ajustando processos para garantir maior resiliência e sustentabilidade operacional.
O Papel Estratégico da Transição Energética
A discussão sobre a transição energética na siderurgia nacional colocou em evidência o papel de combustíveis de transição, com destaque para o gás natural. O uso desse recurso permitiu a substituição gradual do óleo combustível ao longo das últimas quatro décadas, gerando uma redução de 22% nas emissões de gases poluentes por usina.
Para ilustrar o impacto ambiental positivo dessa mudança, André Frias relembrou o caso de Cubatão:
Cubatão passou de cidade mais poluída do mundo para exemplo de recuperação ambiental justamente por trocar o óleo pelo gás natural como redutor do minério
Para lideranças como Marina Muradas, coordenadora de EHS da Tecnosulfur,
a transição energética não é uma agenda do futuro, é do hoje. Decisões de investimentos, capex, tecnologia e eficiência são focadas nela
reforçando que a descarbonização é indispensável para a competitividade industrial.
Olhando para o futuro, o setor enfrenta o desafio de definir os próximos passos tecnológicos para consolidar a sustentabilidade a longo prazo. Conforme ressalta Eder Quental de Araújo, coordenador da Comissão Técnica de Energia e Utilidades da ABM, o compartilhamento estratégico de dados consolida um legado essencial para as próximas gerações de profissionais.
No entanto, o avanço exige planejamento estratégico e união da indústria.
Temos muito potencial, mas estamos numa fase de reflexão: até quando queremos ter altos fornos? Temos vários investimentos possíveis, mas os objetivos até de descarbonização estão atrasados. O segmento precisa de união e entender como irá direcionar o investimento
conclui André Frias, apontando que o sucesso da próxima fase dependerá de decisões coordenadas em prol da inovação verde.















