O reajuste de 11,76% no preço do querosene de aviação pela Petrobras eleva a pressão financeira sobre o setor aéreo, impactando custos operacionais e a oferta de voos no Brasil.
O mercado de transporte aéreo no Brasil enfrenta um cenário de alta volatilidade com o novo reajuste no preço do QAV (querosene de aviação). A partir desta quinta-feira (1º de outubro de 2026), a Petrobras elevou o valor cobrado às distribuidoras em 11,76%, fazendo com que o preço médio do combustível saltasse de R$ 5,585 para R$ 6,242 por litro. Esta alteração marca o terceiro mês consecutivo de elevação nos preços, evidenciando uma tendência de custo ascendente para as companhias aéreas.
Este movimento da estatal reflete a pressão contínua do mercado internacional de petróleo, acentuada pela instabilidade geopolítica no Oriente Médio. Com o preço do barril do Brent superando a marca de US$ 102, o Brasil, embora seja um grande produtor, mantém seus derivados atrelados às referências globais de mercado, o que transfere a volatilidade externa diretamente para a cadeia logística do transporte aéreo nacional.
Impacto direto na aviação civil
A disparada nos preços do combustível tem um efeito multiplicador severo nas finanças das empresas aéreas. Segundo dados da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas), o querosene, que historicamente representava cerca de 30% a 32% dos custos operacionais, agora já consome mais de 45% do orçamento dessas companhias. O impacto financeiro é tão significativo que a Latam, Gol e Azul acumularam, até agosto, um excedente de gastos superior a R$ 5,2 bilhões em comparação com o planejamento inicial para 2026.
Para mitigar a crise, a Petrobras reativou um programa que permite o parcelamento dos reajustes em três vezes para as distribuidoras. Contudo, essa medida paliativa não impede o repasse da pressão de custos. O reflexo prático dessa escalada já é sentido pelos passageiros, com a redução na oferta de assentos e a retirada de aeronaves de maior porte de certas rotas estratégicas como forma de otimizar a operação diante do preço elevado do combustível.
“O aumento amplia a pressão sobre os custos das companhias aéreas, comprometendo a sustentabilidade financeira do setor frente à instabilidade das cotações internacionais.”
O peso do cenário internacional
A raiz desta crise remete ao agravamento das tensões no Oriente Médio desde o início de 2026, com impactos diretos no fluxo de navegação próximo ao Estreito de Ormuz. Esta rota é vital para o comércio mundial de energia, por onde transitava cerca de 20% da oferta global de petróleo antes do conflito. A recusa de líderes globais, como o presidente norte-americano Donald Trump, a negociações para reabertura total da via, contribui para que o barril de petróleo permaneça em patamares elevados.
Para o futuro, a tendência é de cautela. Especialistas apontam que, enquanto as incertezas geopolíticas persistirem e as rotas logísticas forem afetadas por conflitos, a energia limpa e a busca por alternativas de eficiência energética deverão entrar, cada vez mais, no radar de longo prazo das companhias. Por ora, o setor aéreo segue dependente das cotações do petróleo e da política de preços praticada pela estatal, que detém cerca de 85% da produção nacional do combustível.















