Nova solução de software da Echoenergia utiliza inteligência de dados para otimizar a captação de energia solar, elevando a produtividade mesmo sob céu nublado.
A Echoenergia, braço de soluções energéticas do Grupo Equatorial, anunciou um avanço tecnológico que promete mudar o patamar de eficiência de suas usinas fotovoltaicas. Batizada de Nebula, a nova ferramenta de software permite que painéis solares capturem mais radiação mesmo quando as condições climáticas não são favoráveis, um desafio comum na geração de energia limpa.
O sistema já é uma realidade na UFV de Ribeiro Gonçalves, no Piauí, onde foi submetido a testes rigorosos durante o último ano. Atualmente, a tecnologia está implementada em quase a totalidade dos rastreadores solares (trackers) da unidade, demonstrando que é possível elevar a rentabilidade operacional sem a necessidade de adquirir novos equipamentos físicos.
Como funciona a tecnologia Nebula
O diferencial do projeto reside na inteligência de dados aplicada à infraestrutura já existente. Desenvolvido internamente, o algoritmo em Python monitora em tempo real a diferença entre o potencial solar teórico — o quanto de energia seria gerado com céu limpo — e a captação real registrada pelos sensores da usina. Esse cruzamento de informações identifica instantaneamente o índice de opacidade das nuvens.
Quando o sistema detecta alta nebulosidade, ele ordena que os motores dos painéis posicionem as placas na horizontal. Esse ajuste estratégico maximiza o aproveitamento da chamada radiação difusa, que, embora menos intensa que o raio solar direto, torna-se uma fonte de produção essencial em dias chuvosos ou nublados. Quando o céu volta a abrir, os rastreadores retomam automaticamente seu movimento padrão de acompanhamento solar.
Impacto financeiro e operacional
Os resultados obtidos na usina do Piauí são promissores. Durante os meses de maior incidência de nuvens, entre novembro e março, o ganho de eficiência na geração de energia chegou a 1,37% em seu pico, no mês de fevereiro. Estima-se que a adoção da tecnologia proporcione um incremento de receita anual na ordem de R$ 200 mil por unidade.
Segundo Bruno Macedo, gerente de Performance e Manutenção Solar da companhia:
“Trata-se de energia que já estava disponível, mas que não era plenamente aproveitada pela usina. Não estamos aumentando a geração por meio da instalação de novos equipamentos, e sim capturando de forma mais eficiente a energia que o recurso solar já disponibilizava naquele momento. Como a solução é baseada em software e aplicada sobre uma infraestrutura existente, os ganhos obtidos podem ser naturalmente estendidos para o restante do portfólio.”
A escalabilidade do projeto é um dos pontos mais positivos para o setor de sustentabilidade. Por ser uma solução digital, a Echoenergia planeja expandir o uso do Nebula para outras plantas de seu portfólio, consolidando a inteligência artificial como uma aliada estratégica para otimizar a produção de fontes renováveis no Brasil.
















