Petrobras inova em São José dos Campos: transforma resíduo de etanol em asfalto sustentável, impulsionando a economia limpa e a descarbonização das rodovias brasileiras.
A Petrobras acaba de anunciar um avanço significativo em sua estratégia de sustentabilidade e energia limpa, com a implementação de uma nova tecnologia na refinaria Henrique Lage, localizada em São José dos Campos, São Paulo. A inovação consiste na utilização de resíduos da produção de etanol, especificamente o óleo técnico de milho, como matéria-prima para a fabricação de asfalto sustentável. Essa iniciativa reforça o compromisso da companhia com a economia verde e a redução da intensidade de carbono em seus produtos.
O desenvolvimento representa um marco na utilização de materiais renováveis na infraestrutura nacional, mostrando como o setor de energia pode se alinhar com a sustentabilidade. A capacidade de transformar um subproduto agrícola em um material de alto valor agregado para as rodovias brasileiras é o ponto central dessa notícia, com implicações diretas para a descarbonização e o aproveitamento de recursos.
Inovação e Sustentabilidade na Produção de Asfalto
A tecnologia recém-adotada pela Petrobras utiliza o óleo técnico de milho, um insumo derivado do processamento do grão de milho, que agora integra a composição do ligante asfáltico CAP Pro R. Este produto faz parte da linha de pavimentos com foco na sustentabilidade da petroleira. A refinaria Henrique Lage, um polo estratégico da Petrobras, já demonstrou resultados notáveis.
Desde junho de 2026, a produção de CAP Pro R atingiu a marca de 95 mil toneladas. Segundo a empresa, esse volume seria suficiente para cobrir uma distância equivalente a uma viagem de ida e volta entre as capitais Rio de Janeiro e São Paulo. Tal escala evidencia o potencial da inovação para transformar o panorama da construção de rodovias no Brasil, utilizando fontes mais limpas e eficientes.
Compromisso com a Energia Limpa e Redução de Carbono
O engajamento da Petrobras com a economia sustentável é sublinhado pelos números: em 2026, até o mês de agosto, a produção de asfaltos com componentes renováveis já correspondia a 16,6% do total fabricado pela companhia. A aplicação do óleo técnico de milho no asfalto não apenas promove o aproveitamento de produtos agrícolas, mas também mantém as características técnicas do pavimento, garantindo sua durabilidade e desempenho sem a necessidade de adaptações adicionais.
A diretora de logística, comercialização e mercados da Petrobras, Angélica Laureano, destacou a relevância da iniciativa:
Estamos ampliando o leque de matérias-primas renováveis usadas nas refinarias e reforçando a estratégia de diversificação de produtos com menor intensidade de carbono.
Um benefício adicional é que, por não ser destinado à queima, o carbono presente no asfalto permanece fixado ao longo de toda a vida útil do material, contribuindo diretamente para a redução das emissões.
O Papel Estratégico do Óleo Técnico de Milho
O óleo técnico de milho utilizado pela Petrobras é adquirido da biorrefinaria Inpasa, um parceiro estratégico na cadeia de energia limpa. Este versátil insumo já era empregado na fabricação de combustível sustentável de aviação (SAF) e do diesel R, uma versão parcialmente produzida com insumos vegetais. Sua aplicação no asfalto sustentável diversifica ainda mais seu uso, fortalecendo a economia circular.
Rafael Verruck, diretor de trading de mercado interno e óleo da Inpasa, ressaltou a importância do óleo técnico de milho no cenário atual:
Temos orgulho de ver essa tecnologia brasileira de ponta pavimentando um futuro mais verde também nas nossas rodovias.
A colaboração entre as empresas demonstra o potencial da inovação e da parceria para impulsionar a descarbonização e criar soluções mais sustentáveis para o setor energético e de infraestrutura.
A iniciativa da Petrobras em São José dos Campos com o asfalto sustentável a partir de resíduo de etanol marca um passo importante na transição energética do Brasil.
Ao incorporar matérias-primas renováveis em seus processos, a companhia não só contribui para a descarbonização e a economia verde, mas também abre caminho para novas aplicações de subprodutos agrícolas na infraestrutura. Este movimento não só valoriza a energia limpa, mas projeta um futuro onde as rodovias brasileiras serão construídas com soluções cada vez mais amigáveis ao meio ambiente, gerando um impacto positivo duradouro para o país.














