O ONS e a Aneel selecionam cinco distribuidoras de energia para testar novos mecanismos de controle sobre a crescente geração distribuída, visando otimizar a operação do setor elétrico brasileiro.
Um passo significativo para a modernização do setor elétrico brasileiro foi dado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) e pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). As instituições anunciaram a seleção de cinco importantes distribuidoras de energia para participar de um projeto-piloto focado no aprimoramento do controle sobre a geração distribuída (GD).
Esta iniciativa é crucial para integrar de forma mais eficiente as fontes de energia limpa e sustentável que proliferam pelo país.
A medida visa harmonizar a expansão de tecnologias como os telhados solares e mini usinas fotovoltaicas com a estabilidade e segurança da rede nacional.
O projeto, que se insere no conceito de “sandbox” regulatório, busca soluções para os desafios operacionais impostos pelo rápido crescimento dos chamados Recursos Energéticos Distribuídos (REDs), que incluem, além da geração solar, sistemas de armazenamento por baterias e veículos elétricos.
Seleção Estratégica das Distribuidoras
As distribuidoras de energia escolhidas para o projeto são CPFL Paulista, Cemig, Copel, Energisa Mato Grosso e Neoenergia Elektro.
A seleção não foi aleatória; o ONS destacou que essas concessionárias possuem uma alta capacidade instalada de geração distribuída em suas respectivas áreas de atuação. Essa característica as torna parceiras ideais para testar e validar os novos mecanismos de controle propostos.
Além da elevada penetração de energia solar distribuída, a maturidade tecnológica dessas empresas foi um fator decisivo. A capacidade de utilizar sistemas avançados como o ADMS (Sistema de Gestão de Distribuição Avançado) e o DERMS (Sistema de Gestão de Recursos Energéticos Distribuídos) é fundamental.
Essas plataformas permitem um monitoramento mais preciso, controle otimizado e a integração inteligente dos REDs à rede elétrica, elevando a eficiência energética e a confiabilidade do sistema.
Desafios da Geração Distribuída e a Necessidade de Controle
A rápida expansão da geração distribuída tem sido um pilar da transição energética no Brasil, impulsionando a adoção de energia limpa. No entanto, ela também apresentou desafios operacionais significativos para o sistema elétrico brasileiro.
A principal questão é que esses sistemas, embora essenciais para a sustentabilidade, não são diretamente controláveis pelo ONS, que é responsável por gerenciar a geração e transmissão de energia em nível nacional.
Essa falta de controle tem exacerbado cenários de sobreoferta de energia, especialmente durante o dia, quando a produção dos telhados solares é máxima.
Tal desequilíbrio entre carga e geração na rede nacional pode levar a instabilidades e até mesmo aumentar os riscos de apagões, não por falta, mas por excesso de energia. O projeto busca, portanto, criar pontes de comunicação e controle entre o ONS e as distribuidoras para gerenciar melhor essa complexidade.
O projeto conjunto do ONS e da Aneel representa um esforço vital para garantir a resiliência e a estabilidade da rede, enquanto o Brasil avança na adoção de fontes de energia renovável.
A iniciativa permitirá que o país continue sua jornada rumo a um futuro mais sustentável e energético, transformando os desafios da geração distribuída em oportunidades para um setor elétrico mais inteligente, robusto e integrado. Os resultados deste “sandbox” regulatório serão cruciais para definir os próximos passos na gestão da energia limpa em larga escala.
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