Acionamento direto do presidente da CCEE pela Âmbar durante o Leilão de Reserva de Capacidade gerou auditoria, mas sem impacto no certame, apesar de questionamentos posteriores da empresa.
A Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) realizou uma auditoria interna após um incidente no Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap) em 18 de março, onde a Âmbar, braço energético da J&F, contatou diretamente o presidente da entidade. A empresa relatou dificuldades para acessar o sistema de lances, um episódio que, segundo o parecer da auditoria, não comprometeu a integridade do certame nem concedeu tratamento diferenciado ao participante.
Este acontecimento ganhou relevância ao ser registrado no processo do leilão enviado pela CCEE à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Dias após o leilão, a Âmbar formalizou um recurso na agência reguladora, questionando o resultado e alegando um bloqueio que teria impedido a participação da termelétrica Santa Cruz em uma das rodadas.
Detalhes do Incidente e Análise da CCEE
A auditoria revela que o agente, embora não identificado nominalmente no documento de registro, procurou inicialmente a Central de Atendimento do leilão, alegando uma falha sistêmica que a equipe técnica prontamente confirmou não existir. Diante da persistência das reclamações, Alexandre Ramos, presidente da CCEE, foi acionado.
Ele se dirigiu à área externa do ambiente do leilão, onde foi informado pelo presidente da Comissão Permanente de Leilões (CPL) da Aneel que o evento transcorria sem anormalidades. A análise técnica subsequente concluiu que a dificuldade encontrada pelo participante residia na operação e no acesso à rede de sua própria empresa, e não em falhas do sistema do leilão.
O relatório da auditoria enfatizou que “nenhuma informação foi repassada ao participante” e que a verificação seguiu “o procedimento padrão”, reforçando a transparência e a isonomia do processo.
Recursos e Rejeição pela Aneel
Cinco dias após o LRCap, a Âmbar formalizou recursos junto à Aneel. A empresa pedia a reabertura de rodadas ou a anulação de determinados produtos do leilão, alegando ter sido prejudicada pela classificação da UTE Araucária II e pela suposta impossibilidade de ofertar lances com a UTE Santa Cruz.
Em resposta, outras companhias como Eneva, Petrobras e Origem Energia apresentaram contrarrazões, solicitando a rejeição dos recursos. Tanto a Comissão Permanente de Leilões quanto a diretoria da Aneel acataram os argumentos contrários, decidindo pela rejeição dos pleitos da Âmbar, consolidando o resultado do leilão.
Impacto e Consequências Internas
O incidente no LRCap da CCEE precede a saída de Marcelo Zanatta do comando da Âmbar. Embora especulações sugerissem que a mudança de liderança já estivesse em planejamento, investigações apontam que este episódio específico no leilão foi um fator determinante para a alteração na direção da empresa. Este evento sublinha a complexidade e a sensibilidade dos processos de comercialização de energia no Brasil, e o rigor necessário para garantir a isonomia e a transparência nos certames do setor de energia limpa.
















