Minerais críticos entram na pauta do Senado e ABDI debate como agregar valor na indústria

Crédito: Reprodução | Freepik
Compartilhe:
Fim da Publicidade

Enquanto o Senado debate a Política Nacional de Minerais Críticos, a ABDI reúne governo e indústria para discutir como o Brasil pode ir além da exportação de commodities. O foco é agregar valor e impulsionar o desenvolvimento tecnológico e industrial com esses recursos estratégicos.

A Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) promoveu, em Brasília, um encontro crucial que reuniu representantes do governo, do setor mineral e da indústria para moldar o futuro dos minerais críticos no Brasil. Este evento estratégico ocorreu concomitantemente ao início da análise, no Senado, do Projeto de Lei nº 2.780/2024. Tal projeto visa instituir a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos, propondo medidas essenciais para estimular a pesquisa, extração, beneficiamento e transformação desses recursos vitais no país.

Na segunda edição do “Café com a Indústria”, uma iniciativa da ABDI focada em fomentar o diálogo sobre temas relevantes para a competitividade da indústria nacional, o cerne do debate foi como o Brasil pode converter sua vasta vantagem mineral em capacidade produtiva, tecnológica e competitiva de alto nível. A discussão sublinha a urgência de uma abordagem que vá além da simples extração, visando o valor agregado e o desenvolvimento sustentável.

O Papel da ABDI na Conexão Industrial

Durante a abertura do evento, o presidente da ABDI, Olavo Noleto, ressaltou o papel fundamental da Agência em conectar a política industrial com a realidade das empresas. Ele enfatizou a necessidade de transformar diretrizes estratégicas em condições concretas que permitam à indústria investir, inovar e competir no cenário global.

Olavo Noleto, presidente da ABDI, afirmou:

“Entre a política industrial, coordenada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), e a sua implementação concreta pela indústria, existe uma distância. É preciso fazer com que a empresa consiga se financiar, acessar inovação e equipamentos e ganhar competitividade para disputar mercados. É aí que entra a ABDI, como um instrumento fundamental para erguer os pilares que permitam à indústria atravessar essa ponte.”

Noleto reforçou que o Brasil não pode perder a oportunidade histórica de transformar seu minério em riqueza industrial e tecnológica. Ele defende que, além de ampliar a produção de minerais críticos, é imperativo criar condições para que uma parcela crescente desse valor permaneça no país, gerando investimentos, mudança do perfil tecnológico da nossa indústria, criação de novas empresas, geração de renda e empregos qualificados.

A Importância da Agregação de Valor: Lições Internacionais

A experiência internacional demonstra que a posse de recursos naturais é apenas o ponto de partida. O secretário de Desenvolvimento Industrial, Inovação, Comércio e Serviços do MDIC, Uallace Moreira, citou a Coreia do Sul como um exemplo inspirador de país que construiu uma indústria siderúrgica competitiva sem a mesma abundância mineral do Brasil.

Uallace Moreira, MDIC, afirmou:

“O governo tem deixado claro que não quer que aconteça com os minerais críticos e estratégicos o que aconteceu, por exemplo, com o minério de ferro, que a gente acaba exportando e não agrega valor.”

Essa perspectiva ilustra o grande desafio brasileiro. Moreira argumentou que a vantagem competitiva não surge espontaneamente, mas é construída ativamente através de políticas públicas bem direcionadas. A mesma lógica, segundo o secretário, deve guiar a política brasileira para minerais críticos e estratégicos, garantindo que esses recursos naturais sirvam como base para o desenvolvimento tecnológico. Os minerais são cruciais para todas as tecnologias da indústria 4.0, e o Brasil não deve se limitar à condição de exportador de commodities.

Da Mineração à Indústria: Transformando Potencial em Negócios

O primeiro painel do “Café com a Indústria”, intitulado “Minerais críticos: potencial brasileiro para o desenvolvimento industrial e tecnológico”, focou em como o potencial mineral do Brasil pode ser convertido em negócios, tecnologia e produção industrial. Uma das grandes oportunidades reside na aproximação das diferentes etapas da cadeia de valor e na ampliação da complexidade dos produtos desenvolvidos no país.

Jorge Boeira, analista de Produtividade e Inovação da ABDI e mediador do painel, resumiu o desafio como uma mudança de patamar na cadeia produtiva.

Jorge Boeira, analista de Produtividade e Inovação da ABDI, afirmou:

“Há espaço para a gente avaliar as possibilidades de integração das cadeias de valor e produzir materiais mais sofisticados e mais tecnológicos no Brasil.”

Na prática, isso implica avançar para etapas como o refino químico, a produção de materiais avançados, componentes industriais e produtos de maior conteúdo tecnológico, diminuindo a dependência da exportação de matérias-primas. A concentração global da produção de tecnologias e insumos estratégicos também trouxe a dimensão geopolítica para o centro do debate, onde a diversificação dessas cadeias pode posicionar o Brasil internacionalmente não apenas pela oferta de recursos minerais, mas também por seu conhecimento e tecnologia. Nesse cenário, a ABDI busca produzir inteligência industrial para subsidiar a tomada de decisão governamental.

FIM PUBLICIDADE

A aproximação entre pesquisa, mineração e indústria foi outro ponto salientado no painel. Para Pablo Cesário, diretor-presidente interino do Instituto Brasileiro de Mineração (IBRAM), o desafio é expandir a escala e a articulação dos projetos de pesquisa.

Pablo Cesário, IBRAM, afirmou:

“Estamos numa inflexão. O setor mudou, o mundo mudou, e o futuro que a gente quer construir passa pela mineração. Temos no país pesquisadores de alta linha, mas não adianta fazer projetos fragmentados. O desafio é estruturar grandes projetos de pesquisa que envolvam empresas e centros de pesquisa no Brasil e no exterior, para que a gente domine o processo tecnológico integralmente.”

A agenda da ABDI já se materializa em projetos concretos. Em parceria com o Centro de Tecnologia Mineral (CETEM), a Agência está estruturando iniciativas voltadas ao lítio e às terras raras, incluindo uma proposta conceitual para a produção de carbonato e hidróxido de lítio no Vale do Jequitinhonha, e estudos para a reconversão de plantas químicas para a produção de precursores e materiais ativos de células de baterias — etapas de maior complexidade tecnológica e valor agregado.

O trabalho da Agência nessa área remonta a 2010, quando apoiou um estudo conceitual para um laboratório-fábrica de ímãs de terras raras, e avançou com o programa ETR-BR, ações de mobilidade elétrica e parcerias com instituições de pesquisa e órgãos do governo. A atuação da ABDI também abrange os gargalos regulatórios do setor. Através do programa Destrava Brasil, a Agência colabora com a Agência Nacional de Mineração (ANM) em projetos de modernização administrativa e normativa, utilizando inteligência artificial para analisar milhares de processos.

Tecnologia, Transformação Industrial e Acesso a Mercados

O segundo painel expandiu a discussão para as etapas subsequentes da cadeia, com foco em tecnologia, transformação industrial e acesso a mercados. Talita Daher, gerente de Nova Economia e Indústria Verde da ABDI, sintetizou o desafio: “como transformar a dotação brasileira de minerais críticos em capacidade tecnológica, produção industrial e exportações de maior valor agregado?”

O painel “Da mineração à indústria: tecnologia, agregação de valor e novas cadeias produtivas” explorou a articulação entre mercado doméstico, cooperação tecnológica e inserção internacional. Para Margarete Maria Gandini, diretora de Desenvolvimento da Indústria de Alta-Média Complexidade Tecnológica do MDIC, a discussão central é a posição que o Brasil pretende ocupar nas cadeias globais.

Margarete Maria Gandini, MDIC, afirmou:

“A verdadeira soberania não está simplesmente em possuir recursos, mas na nossa capacidade de dominá-los e transformá-los.”

A discussão ganha relevância prática ao observarmos as aplicações desses recursos. As terras raras, por exemplo, possuem propriedades magnéticas, ópticas e eléctricas indispensáveis em ímãs de alta performance, baterias, catalisadores e equipamentos eletrônicos. Minerais críticos também são componentes essenciais em turbinas eólicas, sistemas de armazenamento de energia, motores e equipamentos de alta tecnologia.

No encerramento, Neide Freitas, diretora de Industrialização Sustentável e Transformação Tecnológica da ABDI, reforçou o papel da Agência na conexão entre os diversos atores da agenda industrial. Randal Farah, diretor de Inteligência e Economia da Indústria, destacou a importância de arranjos institucionais que aproximem mercado, academia, setor de formação e poder público para um desenvolvimento coeso.

A iniciativa da ABDI e o debate no Senado sobre a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos marcam um ponto de inflexão para o Brasil. A discussão vai além da mera extração, focando na agregação de valor, no desenvolvimento tecnológico e na autonomia industrial. Ao construir políticas públicas robustas e fomentar a inovação e a competitividade em suas cadeias produtivas, o país tem a oportunidade de transformar seus recursos minerais em uma fonte duradoura de riqueza e progresso, consolidando sua posição como um ator chave na indústria global de alta tecnologia e sustentabilidade.

CONTINUA APÓS A PUBLICIDADE
Facebook
X
LinkedIn
WhatsApp

Área de comentários

Seus comentários são moderados para serem aprovados ou não!
Alguns termos não são aceitos: Palavras de baixo calão, ofensas de qualquer natureza e proselitismo político.

Os comentários e atividades são vistos por MILHÕES DE PESSOAS, então aproveite esta janela de oportunidades e faça sua contribuição de forma construtiva.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ASSINE NOSSO INFORMATIVO

Inscreva-se para receber conteúdo exclusivo em seu e-mail, todas as semanas.

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Gestão de Usina Solar

ARRENDAMENTO DE USINAS

Parceria que entrega resultado. Oportunidade para donos de usinas arrendarem seus ativos e, assim, não se preocuparem com conversão e gestão de clientes.

Locação de Kit Solar

ASSINE NOSSO INFORMATIVO

Inscreva-se para receber conteúdo exclusivo em seu e-mail, todas as semanas.

Não fazemos spam! Leia nossa política de privacidade para mais informações.

Publicidade NoBeta

Comunidade Energia Limpa Whatsapp.

Participe da nossa comunidade sustentável de energia limpa. E receba na palma da mão as notícias do mercado solar e também nossas soluções energéticas para economizar na conta de luz. ⚡☀

Siga a gente

Últimas Notícias

Parceria Publicitária

Energia Solar por Assinatura

Publicidade NoBeta