Pesquisadores brasileiros do LAB-IA, no CBPF, desenvolveram o Arandu, um sistema de inteligência artificial essencial para processar o imenso volume de dados gerado pelo novo telescópio espacial da Nasa, o Nancy Grace Roman.
O Brasil assume um papel protagonista na exploração espacial com o lançamento do telescópio Nancy Grace Roman, da Nasa. O novo observatório, que promete revolucionar nossa compreensão sobre o cosmos, contará com tecnologia nacional para gerenciar suas descobertas.
O Laboratório de Computação e Inteligência Artificial (LAB-IA), vinculado ao Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF), está à frente do desenvolvimento do Arandu, um sistema avançado que utilizará inteligência artificial para filtrar e classificar os alertas astronômicos captados pelo telescópio.
Este avanço coloca o país no epicentro do processamento de dados astronômicos em grande escala. Com a capacidade de monitorar o Universo de forma muito mais abrangente que o Hubble, o novo observatório gera uma quantidade de informações impossível de ser processada manualmente.
É aqui que o sistema brasileiro entra em cena, atuando como um filtro estratégico para transformar o fluxo bruto de dados em conhecimento científico relevante para a comunidade global.
O papel do Arandu na astronomia moderna
Os brokers — como é classificado o sistema Arandu — desempenham uma função vital ao cruzar alertas de observação com catálogos astronômicos preexistentes. O nome, que significa sabedoria em tupi-guarani, traduz a sofisticação da tecnologia brasileira.
O sistema é especializado em detectar fenômenos transitórios, como explosões estelares e variações rápidas de brilho em objetos celestes.
Clécio Roque De Bom, professor do CBPF e coordenador científico do LAB-IA, afirmou:
O Roman produzirá um volume de dados que torna inviável examinar cada detecção manualmente. O Arandu usará inteligência artificial para organizar e classificar esse fluxo, ajudando os cientistas a encontrar os eventos mais relevantes para suas pesquisas. Ter essa tecnologia desenvolvida e operada no CBPF insere o Brasil em uma etapa decisiva da astronomia contemporânea: a transformação de grandes volumes de dados em conhecimento científico.
Tecnologia de ponta para observar o cosmos
O Nancy Grace Roman possui um espelho principal de 2,4 metros, equivalente ao do Hubble, mas o seu diferencial reside na amplitude de visão, pelo menos 100 vezes maior.
Durante sua missão de cinco anos, ele mapeará mais de 1 bilhão de galáxias. O telescópio focará na investigação de exoplanetas e na busca por entender a energia escura, que acelera a expansão do Universo, utilizando supernovas como guias para medir distâncias cósmicas.
Clécio Roque De Bom acrescentou:
O diferencial do Roman não está apenas na quantidade de objetos que poderá observar, mas na possibilidade de acompanhar um Universo em transformação. Sistemas como o Arandu serão fundamentais para reconhecer essas mudanças no meio de um fluxo contínuo de dados e permitir que a comunidade científica reaja a elas.
Expectativas para a missão
O lançamento do telescópio ocorrerá no próximo domingo, a bordo de um foguete Falcon Heavy, da SpaceX. Após atingir sua órbita, a aproximadamente 1,5 milhão de quilômetros da Terra, o observatório iniciará uma nova era na astronomia.
A integração bem-sucedida do Arandu neste ecossistema reforça a capacidade técnica brasileira em desenvolver soluções de computação de alto desempenho e análise de dados complexos.
A participação do CBPF não apenas fortalece a colaboração científica internacional, mas também projeta o Brasil como um parceiro indispensável nos desafios tecnológicos que moldarão o futuro do nosso entendimento sobre o espaço.
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