Baterias no leilão nacional enfrentam incertezas em preço conexão e equipamentos

Baterias no leilão nacional enfrentam incertezas em preço conexão e equipamentos
Baterias no leilão nacional enfrentam incertezas em preço conexão e equipamentos | Reprodução: Freepik / Pixabay
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O setor de energia no Brasil avança rumo a uma nova era, onde sistemas de armazenamento por baterias ganham protagonismo para garantir a flexibilidade do sistema elétrico nacional.

A transição energética brasileira atingiu um ponto de inflexão decisivo: a necessidade de garantir a estabilidade do Sistema Interligado Nacional (SIN) diante da crescente participação de fontes renováveis variáveis. Com a expansão acelerada da energia solar e eólica, o setor elétrico agora volta suas atenções para os sistemas de armazenamento de energia (SAE), vistos como a solução estratégica para lidar com as variações entre a oferta e a demanda, assegurando o controle de frequência e a resposta rápida às rampas de carga.

Durante a Intersolar South America, especialistas do governo e do setor privado discutiram como essa tecnologia deve moldar o futuro do planejamento energético. Enquanto o Ministério de Minas e Energia (MME) e a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) buscam aprimorar os leilões de reserva de capacidade, investidores se preparam para um mercado que, embora promissor, ainda enfrenta barreiras regulatórias e logísticas significativas.

O desafio da flexibilidade e o papel das baterias

O debate sobre a flexibilidade do SIN não é novo, mas ganhou urgência. Projeções da EPE indicam que, até 2030, a demanda por potência flexível no Brasil poderá oscilar entre 20 GW e 30 GW, podendo saltar para 70 GW até 2035 devido à variabilidade intradiária das fontes limpas. Markus Vlasits, presidente da ABSAE, ressalta que essa transição exige uma mudança de paradigma na remuneração dos ativos.

A flexibilidade se tornou um dos principais assuntos do setor elétrico, envolvendo a capacidade de atender às rampas de carga e fornecer inércia sintética para a operação.

Para viabilizar a entrada dessas tecnologias, o governo optou por um modelo de receita fixa nos primeiros leilões, visando oferecer previsibilidade a um mercado que ainda carece de escala. O diretor do MME, André Perim, reforça que a meta é evoluir para contratações mais periódicas à medida que o mercado ganha maturidade e a regulação se torna mais assertiva.

Perspectivas dos investidores e obstáculos operacionais

Empresas como Elera Renováveis, Casa dos Ventos e Brasol já desenham estratégias para capitalizar sobre essa nova fronteira. O interesse é evidente: fabricantes globais, com forte presença de empresas chinesas, já sinalizam uma capacidade produtiva potencial de 10 GW ao ano no Brasil. Contudo, o otimismo é temperado pelo pragmatismo. O desafio reside em equilibrar o preço dos equipamentos, as incertezas tributárias e a complexidade de obter outorgas e margens de escoamento.

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Um ponto crítico apontado pelo mercado é a viabilidade de projetos fora dos leilões públicos. Em segmentos como a geração distribuída, a falta de incentivos econômicos claros para o deslocamento de carga torna o armazenamento menos atrativo. Luis Castro, da Casa dos Ventos, sintetiza o clima entre os players:

O principal desafio dos investidores será dimensionar corretamente os riscos e os preços em meio às incertezas regulatórias, operacionais e comerciais.

Próximos passos e o horizonte de 2028

Com os editais previstos para o final de outubro, o setor corre contra o tempo para alinhar seus projetos às exigências técnicas do ONS e às metas de nacionalização de componentes. A expectativa de entrada em operação para 2028 coloca pressão sobre a cadeia de suprimentos, especialmente na disponibilidade de transformadores e na definição dos preços dos fornecedores.

Apesar da complexidade, a avaliação geral é de que estamos diante de um divisor de águas. A consolidação dos primeiros projetos de larga escala servirá como laboratório para que o Brasil integre, definitivamente, o armazenamento de energia em seu portfólio de soluções sustentáveis. A agenda de flexibilidade, iniciada com as baterias, deverá se desdobrar nos próximos anos em novos modelos de negócios, consolidando uma matriz elétrica mais resiliente, segura e preparada para os desafios climáticos e operacionais do futuro.

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