A Academia Brasileira de Ciências (ABC) lançou um plano robusto para guiar o próximo ciclo de desenvolvimento do Brasil, priorizando a modernização energética e a soberania tecnológica através de metas ambiciosas de investimento.
A ABC colocou em debate uma agenda estratégica que conecta o avanço industrial brasileiro aos desafios da transição energética. Por meio do documento intitulado “O Futuro Não Pode Esperar”, a entidade aponta caminhos para que o Brasil concilie crescimento econômico com sustentabilidade, sugerindo que o Estado eleve progressivamente o orçamento em pesquisa e inovação até atingir 2% do PIB nacional.
Entre as prioridades setoriais, a modernização do sistema elétrico ocupa lugar de destaque. A entidade defende a criação de um programa emergencial para expandir a malha de transmissão, essencial para evitar gargalos no escoamento de energia renovável produzida em regiões de alta geração solar e eólica.
Infraestrutura e novas tecnologias de armazenamento
A complexidade crescente do SIN (Sistema Interligado Nacional) demanda, segundo a ABC, um arcabouço regulatório moderno voltado ao armazenamento de energia. O plano propõe acelerar o uso de baterias de longa duração e sistemas reversíveis, tecnologias fundamentais para garantir a estabilidade e a flexibilidade da rede diante da intermitência das fontes limpas.
“A estratégia proposta não se limita apenas à geração, mas propõe integrar a infraestrutura energética com o desenvolvimento de tecnologias de ponta, capazes de consolidar o Brasil como referência em transição energética global”, destaca o documento.
Soberania através dos minerais críticos
Outro pilar relevante da proposta é a gestão estratégica de minerais críticos, como lítio, níquel e terras raras. A ABC sugere que o país deixe de atuar apenas como exportador de matéria-prima e passe a desenvolver cadeias produtivas locais. A ideia é agregar valor tecnológico aos recursos, garantindo que insumos vitais para a fabricação de baterias e eletrônicos sejam processados em território nacional, reduzindo a dependência externa.
O pacote de sugestões também abrange a formação de talentos. Para sustentar esse salto tecnológico, a academia sugere a criação de centros especializados e o fortalecimento do ensino técnico, visando capacitar profissionais em áreas como inteligência artificial, materiais avançados e energias de baixo carbono.
A longo prazo, a visão da ABC é clara: o sucesso da transição energética brasileira depende de uma política industrial integrada, que combine proteção ambiental e descarbonização da matriz com o fortalecimento da base científica e educacional do país.
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