Gigante dinamarquesa de energia eólica, Vestas, está em negociações avançadas para adquirir nove projetos de energia renovável no Brasil, pertencentes à Voltalia. A operação, que abrange empreendimentos eólicos e solares em estágio inicial, já foi submetida ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
O setor de energias renováveis no Brasil se movimenta com a notícia de que a dinamarquesa Vestas, líder global em fabricação e instalação de turbinas eólicas, está em processo de negociação para adquirir um pacote de nove projetos de geração limpa da francesa Voltalia. A transação abrange tanto empreendimentos eólicos, localizados nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, quanto projetos solares no Nordeste do país.
Atualmente, esses ativos estão organizados em Sociedades de Propósito Específico (SPEs) e encontram-se em fases iniciais de desenvolvimento. Detalhes sobre a capacidade total dos projetos não foram divulgados, citando a confidencialidade inerente a acordos dessa natureza.
A aquisição representa um passo estratégico para a Vestas, visando expandir seu portfólio de desenvolvimento de projetos no mercado brasileiro. A companhia reitera que sua atuação no país continua focada no fornecimento de tecnologia e serviços para a cadeia de energia eólica, sem atuar diretamente como geradora ou comercializadora de energia. Essa movimentação está alinhada com a estratégia global da Vestas Development, sua divisão especializada na identificação e maturação de projetos energéticos.
Por outro lado, a Voltalia justifica a potencial venda como parte de sua política de otimização de ativos e reciclagem de portfólio. A empresa francesa reafirma o compromisso com o mercado brasileiro, que responde por uma parcela significativa de suas operações globais, e mantém seus planos de crescimento a longo prazo no país.
Este movimento da Voltalia de alienar ativos ocorre em um cenário de reestruturação para o setor, sendo este o segundo acordo de desinvestimento da empresa em um curto período. Recentemente, a companhia também negociou a venda de conexões de energia para data centers no Ceará.
Para a Vestas, esta potencial aquisição se soma a uma série de movimentações recentes no Brasil. A empresa já demonstrou sua estratégia de desenvolver projetos até a fase “pronta para construir” (ready to build) e, posteriormente, vendê-los a investidores. Recentemente, a Equinor adquiriu um complexo eólico de 229,5 MW da Vestas Development no Rio Grande do Norte, e há poucos meses, a Vestas também fechou a compra de dez projetos eólicos greenfield da Eneva no mesmo estado.
A operação entre Vestas e Voltalia segue agora o rito de aprovação regulatória pelo Cade, um passo crucial para a concretização do negócio e para a contínua expansão das energias renováveis no Brasil.
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