Flexibiliza ETS, UE alivia pressão sobre indústria

Flexibiliza ETS, UE alivia pressão sobre indústria
Fumaça sai de chaminé em fábrica na França - Fred Tanneau/AFP
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Reforma do ETS da União Europeia busca equilibrar metas climáticas e competitividade industrial.

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A Comissão Europeia apresentou nesta sexta-feira (17) uma proposta de reforma significativa do Sistema de Comércio de Emissões da UE (ETS), a principal ferramenta do bloco para combater as mudanças climáticas. A iniciativa visa oferecer um alívio temporário para a indústria, permitindo a continuidade da emissão de CO2 por mais tempo, enquanto intensifica o apoio financeiro para o desenvolvimento e implementação de tecnologias limpas em toda a Europa.

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O ETS, que atualmente abrange usinas de energia, companhias aéreas e transporte marítimo, exige a compra de licenças de emissão de CO2 e estabelece limites máximos. A proposta de reforma, fruto de longas discussões, busca alinhar o sistema à ambiciosa meta climática da UE para 2040, que prevê uma redução de 90% nas emissões líquidas.

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Aliviando a Pressão Industrial e Fomentando Inovação

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A Comissão Europeia responde às crescentes demandas de setores industriais e de países como Itália e Polônia, que alertavam para um impacto negativo na competitividade. Ao mesmo tempo, o bloco busca mitigar preocupações levantadas por nações como a Espanha, que temiam que um enfraquecimento do ETS pudesse penalizar empresas que já investiram em descarbonização. A proposta de ajuste nas taxas anuais de redução do teto de emissões, diminuindo-as de 4,3% para cerca de 3,7% a partir de 2031 e 1,7% a partir de 2036, reflete esse esforço de conciliação.

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Para apoiar a transição, a UE propõe a concessão de mais licenças de CO2 gratuitas para indústrias, sob condições específicas. Um dos destaques é a antecipação de 80% dessas licenças para empresas com planos concretos de investir em descarbonização na Europa, com os 20% restantes sendo liberados após a comprovação dos investimentos. Essa medida, acompanhada da extensão das licenças gratuitas até 2038 para setores como siderurgia e cimento, visa garantir a competitividade sem comprometer o avanço em direção a uma economia de baixo carbono.

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Impacto Financeiro e Receitas da Descarbonização

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A reforma também aborda o uso das receitas geradas pelo ETS, que desde 2013 somam 260 bilhões de euros. A Comissão Europeia sugere regras mais rigorosas, determinando que 50% desses fundos sejam reinvestidos na descarbonização dos setores cobertos pelo sistema. Essa diretriz, no entanto, pode enfrentar resistência de governos que utilizam as receitas para cobrir déficits orçamentários, como é o caso de Polônia e Itália, que já manifestaram objeções às novas condições para as licenças gratuitas.

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\”Se concretizarmos esse plano, isso significaria, literalmente, centenas de bilhões em investimentos adicionais em solo europeu. A alocação gratuita não significa dinheiro de graça\”, ressaltou o comissário europeu para o Clima, Wopke Hoekstra. A negociação final da revisão do ETS envolverá países da UE e parlamentares ao longo do próximo ano, prometendo ser um período de intensos debates sobre o futuro da política climática europeia.

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Um Contexto de Ajustes e Ambições Climáticas

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A proposta de reforma do ETS ocorre em um cenário de reavaliação de algumas políticas ambientais da UE, impulsionada por preocupações setoriais. Paralelamente, a Comissão Europeia apresentou planos para dobrar a participação da eletricidade no consumo energético do bloco até 2040, visando reduzir a dependência de combustíveis fósseis e cumprir as metas climáticas. Essa dualidade demonstra o complexo equilíbrio que a União Europeia busca alcançar entre a urgência climática e as realidades econômicas e políticas.

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A inclusão da incineração de resíduos e de embarcações de menor porte no escopo do ETS a partir de 2031, bem como a extensão para voos internacionais a partir de 2029, sinalizam uma ampliação do alcance da política. Contudo, a expansão para voos internacionais já gerou alertas, como o da Câmara de Comércio norte-americana, sobre o risco de retaliações internacionais. O sistema, que já abrange 40% das emissões da UE e reduziu pela metade as emissões dos setores cobertos desde 2005, continua sendo um pilar fundamental na jornada europeia rumo à sustentabilidade.


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