Inadimplência no Mercado de Curto Prazo de energia atingiu R$ 110,25 milhões em maio, com a 2W, Electra e Oi figurando como as principais responsáveis pelos débitos.
A liquidação financeira referente ao mês de maio no Mercado de Curto Prazo (MCP) revelou um cenário de alerta para o setor elétrico. Dados consolidados pela Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE) indicam que a inadimplência real subiu para R$ 110,25 milhões, um crescimento de aproximadamente R$ 15,45 milhões em comparação ao mês de abril.
O dado mais preocupante recai sobre a concentração do problema: um grupo restrito de empresas é responsável pela maior parte do saldo negativo. As companhias 2W, Electra Energia Digital e Brasil Telecom/Oi acumularam, juntas, R$ 75,62 milhões em dívidas, montante que representa 69% de todo o atraso verificado no período.
Composição das dívidas no MCP
Embora o volume total não quitado tenha permanecido estável em relação a abril — registrando R$ 440,39 milhões —, a estrutura da inadimplência mudou. A maior fatia desse valor, cerca de R$ 329 milhões, refere-se a débitos da Bolognesi que possuem os efeitos de cobrança suspensos por decisões da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
Quando se retiram da conta as suspensões regulatórias, parcelamentos e questões judiciais, o que sobra é a inadimplência efetiva, que apresentou trajetória de alta. A Boven Comercializadora Varejista também integra a lista de maiores devedores, consolidando um grupo de quatro empresas que concentram 77% dos valores não pagos.
Cenário para o mercado e credores
A liquidação financeira, concluída em 8 de julho, movimentou R$ 2,63 bilhões, o que corresponde a 85,6% do montante total contabilizado no mês. No entanto, o impacto prático para os credores do MCP foi uma redução na taxa de adimplência, que caiu de 81,3% em abril para 80,8% em maio.
“A persistência de poucos agentes na lista de inadimplentes reflete desafios estruturais enfrentados por empresas que, em muitos casos, já buscam proteção em processos de recuperação judicial para tentar reorganizar suas operações no mercado de energia,” pontuam analistas do setor.
Para os próximos meses, o mercado aguarda com expectativa os reflexos dessas movimentações na estabilidade das transações de curto prazo. A entrada da Oi no rol dos principais devedores em maio, algo que não ocorria na operação de abril, ilustra a volatilidade do ambiente de comercialização e a pressão sobre os mecanismos de garantias da CCEE.



















