O governo federal oficializou o Plano Decenal de Expansão de Energia 2035, prevendo R$ 3,5 trilhões em investimentos para fortalecer a infraestrutura e a transição energética do Brasil.
O Ministério de Minas e Energia (MME) deu um passo decisivo para o futuro do setor elétrico ao consolidar o Plano Decenal de Expansão de Energia (PDE 2035). O documento, elaborado pela Empresa de Pesquisa Energética (EPE), estabelece um roteiro estratégico para a evolução da demanda e oferta de energia no país durante a próxima década.
A publicação marca o encerramento de um processo rigoroso, que incluiu uma ampla consulta pública e a análise de centenas de contribuições de agentes do mercado. O plano servirá como a bússola oficial para nortear decisões de investimento privado e o desenho de novas políticas públicas voltadas à segurança e sustentabilidade energética.
Bilhões em foco na transição energética
A expansão da infraestrutura prevista no PDE 2035 exigirá um aporte vultoso de R$ 3,5 trilhões até 2035. O objetivo central é elevar a capacidade instalada de geração do Brasil dos atuais 255 GW para cerca de 367 GW, um salto de 110 GW focados, prioritariamente, em fontes limpas como a energia solar e a energia eólica.
Além de ampliar a oferta, o planejamento do governo busca reforçar a competitividade industrial do Brasil em um cenário global de descarbonização. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, destacou a importância do trabalho técnico realizado pela equipe da EPE:
O PDE reafirma o compromisso do país com um planejamento energético sólido, transparente e alinhado aos desafios da transição para uma economia de baixo carbono.
Papel do gás, eletrificação e novos desafios
O plano reconhece que, com a alta dependência de fontes renováveis variáveis, o sistema precisará de maior flexibilidade. Por isso, projeta-se um aumento expressivo no uso de gás natural para o despacho de usinas termelétricas, que deve dobrar sua demanda diária nos próximos anos para assegurar a estabilidade do suprimento.
Paralelamente, o PDE 2035 antecipa a aceleração da eletrificação no setor de transportes, estimando que a frota de veículos elétricos demandará mais de 7 TWh até 2035. Já no campo da bioenergia, a biomassa deve desempenhar um papel fundamental, aproveitando resíduos agrícolas para compor a matriz renovável.
Sobre o armazenamento de energia, o estudo aponta que, embora as baterias sejam estratégicas para a flexibilidade, a viabilidade econômica ainda enfrenta barreiras. O governo projeta que a mudança nesse cenário dependerá de uma queda nos preços da tecnologia e da revisão das estruturas tarifárias nos próximos anos.
Perspectivas para a próxima década
A projeção de um crescimento médio anual de 1,8% no consumo de energia reafirma a expectativa de desenvolvimento econômico do país. O Brasil mantém sua posição de destaque mundial ao projetar que mais de 85% de sua matriz elétrica continuará sendo composta por fontes renováveis em 2035.
Com o plano consolidado, o foco do MME agora se volta para a implementação das diretrizes e a atração dos investimentos necessários para transformar os números em infraestrutura real. Esse planejamento deve garantir não apenas o atendimento à demanda crescente, mas também a consolidação do país como protagonista na economia verde mundial.























