O Rio Grande do Sul delineou um plano estratégico para o hidrogênio verde, priorizando o uso interno para descarbonizar o setor produtivo gaúcho em vez de focar no mercado externo.
Em um movimento que destoa de outras iniciativas nacionais, o governo do Rio Grande do Sul decidiu concentrar seus esforços de transição energética no fortalecimento da economia local. A ideia central é aplicar o insumo para reduzir a pegada de carbono da indústria e, principalmente, do agronegócio, garantindo competitividade a longo prazo.
De acordo com a titular da Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema-RS), Marjorie Kauffmann, o estado possui condições favoráveis para produzir o vetor energético com custos situados entre US$ 1,5 e US$ 2 por quilo. O objetivo é utilizar esse potencial para fabricar amônia e fertilizantes sustentáveis, diminuindo a forte dependência gaúcha das importações de adubos.
Descarbonizando o setor produtivo
A aplicação do hidrogênio verde não se restringirá ao campo. O plano estadual contempla a produção de metanol e a adoção de combustíveis de baixo teor de carbono em rotas logísticas e industriais. Empresas como a Tramontina já figuram como pioneiras no uso da tecnologia, integrando o combustível às suas operações fabris para reduzir emissões.
Este esforço faz parte de um edital estadual que selecionou quatro projetos estratégicos. Juntos, eles devem evitar a emissão de mais de 4,7 mil toneladas de CO₂ equivalente anualmente, servindo como um laboratório prático para a escalabilidade da cadeia produtiva no território gaúcho.
“A partir do momento em que mercados passarem a exigir fertilizantes verdes, combustíveis de baixo carbono e práticas produtivas mais sustentáveis, toda a cadeia ganhará escala”, destacou a secretária Marjorie Kauffmann sobre o amadurecimento do mercado.
Investimentos e o papel do Estado
O governo estadual, sob a gestão de Eduardo Leite, posiciona a transição energética como um dos pilares do seu plano de desenvolvimento econômico. Para garantir o pontapé inicial, o estado destinou R$ 30 milhões a cada um dos quatro projetos selecionados, reforçando que o subsídio inicial é uma etapa necessária para o sucesso tecnológico, tal qual ocorreu no passado com a energia solar.
Atualmente, a agência Invest RS monitora uma carteira robusta de 26 projetos voltados a energias renováveis e descarbonização. Com um volume de investimentos projetados na casa dos R$ 14,1 bilhões, o estado projeta a criação de aproximadamente 23 mil postos de trabalho, consolidando-se como um hub de soluções sustentáveis que unem, em um mesmo ecossistema, o biometano, o etanol e o hidrogênio de baixo carbono.























