Com a confirmação do fenômeno El Niño, o ONS reforça o monitoramento dos reservatórios e do regime de chuvas em todo o país para o segundo semestre de 2026.
O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) iniciou um acompanhamento detalhado sobre os reflexos do El Niño no abastecimento energético brasileiro. Com o fenômeno climático estabelecido em junho e a perspectiva de ganho de força até os meses de verão, a atenção se volta especialmente para o volume de chuvas na Região Sul e a gestão dos níveis das represas nacionais durante a segunda metade do ano.
A análise, apresentada em 25 de junho durante o Programa Mensal da Operação (PMO), aponta que o Sistema Interligado Nacional (SIN) encerra o mês com um armazenamento confortável de 71%. Contudo, o órgão alerta que as condições hidrológicas atuais permanecem abaixo da média histórica em todos os subsistemas brasileiros.
Impactos regionais e previsões climáticas
O ONS pondera que, embora o El Niño tenha influência climática notável, sua intensidade não se traduz automaticamente em efeitos drásticos para o Brasil. As variações mais esperadas concentram-se no Sul, com maior probabilidade de chuvas acima do padrão, e nas regiões Norte e Nordeste, onde o fenômeno tende a provocar precipitações abaixo da média, um cenário que deve se acentuar no decorrer da primavera e do verão.
Quanto ao Sudeste e Centro-Oeste, o operador esclarece que não há uma correlação direta entre o El Niño e o volume de chuvas ou a duração do período chuvoso nessas áreas. Em contrapartida, a tendência climática aponta para temperaturas acima da média nessas regiões, o que pode resultar em ondas de calor mais frequentes.
Status dos reservatórios e hidrologia
Os dados recentes mostram um cenário heterogêneo entre os subsistemas. O fechamento de junho projeta 66% de armazenamento no Sudeste/Centro-Oeste, 59% no Sul, 90% no Nordeste e 97% no Norte. Em comparação aos níveis registrados em maio, nota-se uma leve alta no Sul e no Norte, enquanto o Sudeste/Centro-Oeste e o Nordeste apresentaram pequenos recuos.
“A passagem regular de frentes frias contribuiu para precipitação superior à média nas bacias dos rios Paranapanema, Tietê, Grande e Paranaíba.”
Mesmo com as variações sazonais, o ONS mantém o foco na gestão operativa, especialmente nas bacias do rio Jacuí e Uruguai, que têm apresentado chuvas abaixo da média. Além do monitoramento interno, o país manteve, ao longo de junho, a exportação de energia em caráter comercial para a Argentina e o Uruguai, com despachos significativos de potência para atender aos países vizinhos.
Perspectivas para o trimestre
Para o trimestre de julho, agosto e setembro, os modelos indicam que a Região Sul deve continuar recebendo chuvas acima da média. Existe a possibilidade de que essa anomalia positiva de precipitação avance em direção a áreas como São Paulo, Mato Grosso do Sul e a bacia do rio Madeira, o que exigirá do ONS uma sintonia fina no planejamento da operação para garantir a segurança energética do SIN nos próximos meses.





















