Brasil condiciona investimentos da União Europeia em energia e minerais à industrialização local

Brasil condiciona investimentos da União Europeia em energia e minerais à industrialização local
Brasil condiciona investimentos da União Europeia em energia e minerais à industrialização local - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
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Brasil impõe exigência de industrialização local para viabilizar novas parcerias com a União Europeia em transição energética e mineração.

O Ministério de Minas e Energia (MME) avançou nas tratativas para integrar o país às cadeias globais de suprimentos voltadas à economia verde. Durante uma reunião técnica realizada em Brasília na última terça-feira (23/06), representantes do governo brasileiro discutiram com o comissário europeu para Parcerias Internacionais, Jozef Síkela, os rumos de investimentos estratégicos em hidrogênio de baixa emissão, minerais críticos e infraestrutura elétrica.

O encontro ganha relevância diante da iniciativa Global Gateway, mecanismo da União Europeia desenhado para diversificar suas fontes de suprimento e reduzir a dependência tecnológica em relação ao mercado asiático. Enquanto o bloco europeu busca garantir segurança energética e de insumos, o Brasil adota uma postura de negociação que vai além do simples recebimento de aportes externos.

Industrialização e transferência de tecnologia

Para o governo federal, o potencial de exportação de recursos naturais deve servir como alavanca para a neoindustrialização. O secretário-executivo do MME, Gustavo Ataíde, afirmou que o país está preparado para acolher investimentos estrangeiros, contanto que estes tragam benefícios tangíveis, como a criação de empregos qualificados, transferência de tecnologia e desenvolvimento socioeconômico regional.

O tema dos minerais críticos, fundamentais para a fabricação de semicondutores e baterias (BESS), foi tratado com prioridade. A secretária de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, Ana Paula Bittencourt, sublinhou que a estabilidade do marco legal brasileiro, aliada a uma matriz energética majoritariamente renovável, permite que o país posicione seus insumos como produtos de alta tecnologia e baixa pegada de carbono.

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Celeridade e modelos de cooperação

No setor de hidrogênio de baixa emissão e seus derivados, como a amônia verde, a estratégia brasileira também busca garantir que os ganhos fiquem concentrados internamente. De acordo com a secretária substituta de Transição Energética e Planejamento, Lorena Perim, a governança dos novos projetos está sendo moldada para assegurar que a cadeia produtiva seja internalizada, evitando que o Brasil atue apenas como exportador de matéria-prima.

Do lado europeu, o comissário Jozef Síkela reforçou o interesse em converter memorandos em plantas industriais operacionais.

“Temos valores compartilhados, competências dos dois lados e determinação. Agora precisamos fazer acontecer. Precisamos acelerar, avançar em medidas práticas e alinhar marcos e propostas específicas”, pontuou Síkela.

A expectativa é que a criação de projetos-piloto de grande escala no Brasil sirva como referência regulatória para futuros investimentos na América Latina. O sucesso da parceria dependerá, agora, da capacidade das partes em equilibrar a urgência europeia por contratos de longo prazo com a meta brasileira de consolidar um parque industrial moderno e competitivo.

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