O setor fotovoltaico brasileiro perdeu uma posição no ranking internacional após registrar uma queda de 23% em novas instalações, sinalizando a necessidade urgente de ajustes em infraestrutura e políticas de mercado.
A ascensão meteórica da energia solar no Brazil encontrou, recentemente, uma barreira técnica e econômica. Segundo dados da SolarPower Europe, elaborados em conjunto com a Absolar (Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica), o país deixou o grupo dos quatro maiores mercados mundiais, sendo superado pela Germany. Com a nova configuração, o Brasil ocupa agora a quinta posição global.
O arrefecimento do setor ficou evidente na comparação anual de adições de capacidade. O país somou 14,5 GWp ao sistema, um volume 23% inferior aos 18,9 GWp registrados no ciclo precedente. Embora o ritmo tenha perdido a velocidade observada em anos anteriores, a fonte fotovoltaica permanece como um pilar estratégico da matriz nacional, detendo hoje 70 GWac em operação e representando mais de 26% da capacidade geradora total do território brasileiro.
Desafios operacionais e financeiros
A perda de ímpeto não deve ser atribuída a uma única causa. A Absolar aponta que o ecossistema solar brasileiro tem enfrentado gargalos críticos no escoamento de energia, incluindo casos frequentes de curtailment — quando a geração renovável é interrompida por restrições operativas sem a devida compensação ao investidor. Além disso, problemas crônicos de conexão à rede de transmissão e distribuição têm inviabilizado a entrada de novos projetos.
O cenário macroeconômico também impôs barreiras significativas. A persistência de taxas de juros elevadas, somada à volatilidade do dólar, encareceu o crédito para grandes empreendimentos. Somado a isso, o aumento nas tarifas de importação de insumos elevou o custo de capital (Capex), pressionando a rentabilidade tanto em projetos de geração centralizada quanto nas instalações de geração distribuída.
Caminhos para a retomada do crescimento
Para recuperar o protagonismo global, o setor defende que o Brasil precisa modernizar sua infraestrutura com urgência. “O diagnóstico para destravar os gargalos de escoamento e devolver o dinamismo ao mercado passa, obrigatoriamente, por uma revisão na infraestrutura e nas políticas setoriais”, apontam especialistas da área.
A pauta do setor para o próximo período é clara. Entre as prioridades, estão a implementação de leilões dedicados a sistemas de armazenamento de energia, a revisão da carga tributária sobre baterias e a criação de marcos regulatórios que garantam maior flexibilidade ao sistema elétrico. O objetivo central é superar os gargalos estruturais e consolidar a sustentabilidade do crescimento solar no longo prazo.























