O setor de armazenamento de energia no Brasil projeta um ciclo de crescimento robusto, com a expectativa de atrair R$ 57 bilhões em investimentos na próxima década, impulsionado pela transição energética.
A necessidade de conferir maior agilidade e estabilidade à rede elétrica nacional, acompanhando o avanço das fontes renováveis, coloca o Brasil em uma trajetória promissora para o desenvolvimento de soluções de armazenamento. Um novo relatório da Deloitte, intitulado “Sistemas de Armazenamento: Desafios, oportunidades e perspectivas para o Setor Elétrico Brasileiro”, detalha como o mercado deve evoluir nos próximos dez anos, alinhando-se às diretrizes do PDE 2035 da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
O ponto de partida para essa projeção bilionária considera a demanda inicial prevista para os próximos leilões de capacidade. Com foco no armazenamento, o governo planeja licitações estratégicas — a primeira delas dividida em duas etapas, agendadas para o início de dezembro deste ano — com a expectativa de manter um cronograma anual de contratações até 2035.
Conexão com as tendências globais
O cenário externo serve como um termômetro para a urgência da modernização elétrica. Dados da Agência Internacional de Energia (IEA) citados pelo estudo mostram uma expansão global explosiva, saltando de 1 GW de capacidade em 2013 para 85 GW em 2023. Atualmente, o avanço tecnológico está concentrado na China, nos Estados Unidos e no mercado europeu, que juntos dominam a maior parte das instalações de baterias no mundo.
Para o Brasil, o desafio é criar um ambiente regulatório e de serviços ancilares que atraia investidores de forma consistente. O sucesso desse ecossistema depende, segundo a consultoria, da maturidade dos modelos de negócio, que devem ir além da simples geração e envolver soluções de suporte à rede.
Oportunidades estratégicas para o setor
Segundo Jovanio Santos, diretor de Strategy & Transactions na área de Power & Utilities da Deloitte, o momento exige proatividade por parte das companhias elétricas que buscam liderar esse mercado.
“As organizações que pretendem atuar nesse segmento precisam estruturar seus portfólios de projetos e definir suas apostas tecnológicas, seja em sistemas de armazenamento por baterias (BESS), usinas hidrelétricas reversíveis ou soluções híbridas. Também é essencial desenvolver modelos de negócio capazes de combinar diferentes fontes de receita, como pagamento por capacidade, arbitragem de energia e serviços ancilares, além de investir em parcerias estratégicas, acesso a financiamento e digitalização”, pontua o executivo.
A implementação desses sistemas é vista como um pilar essencial para a resiliência do Sistema Interligado Nacional (SIN). Ao oferecer maior previsibilidade e flexibilidade, as baterias permitem que fontes como a solar e a eólica — naturalmente intermitentes — sejam integradas de maneira mais eficiente, garantindo a segurança energética em momentos de picos de carga e protegendo o sistema contra oscilações severas de preços.






















