O confronto da seleção brasileira na Copa do Mundo de 2026 provocou uma oscilação notável no Sistema Interligado Nacional, com queda de até 9,6% no consumo de energia.
A recente partida da seleção brasileira contra o Haiti, válida pela Copa do Mundo de 2026, não movimentou apenas os torcedores, mas também impactou diretamente o setor elétrico nacional. Segundo dados monitorados pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), o comportamento coletivo da população durante o jogo, realizado na última sexta-feira (19.jun.2026), resultou em uma redução significativa na demanda por eletricidade em todo o país.
O fenômeno, já conhecido pelo setor de energia em momentos de grande audiência, exigiu um esquema de operação especial para garantir a estabilidade do sistema. Durante o auge do primeiro tempo, a queda na carga chegou a 7.500 MW, um patamar expressivo que reflete o momento em que milhões de brasileiros interromperam suas rotinas para acompanhar o desempenho da equipe em campo.
Monitoramento da carga e comportamento da rede
O monitoramento do ONS revelou que a redução do consumo começou antes mesmo da bola rolar. Às 20h30, o sistema já operava com uma redução de 6.700 MW em relação à demanda média prevista para o horário, volume equivalente ao consumo total de energia de um estado como o Rio de Janeiro. O ponto de maior retração ocorreu às 23h30, quando a rede atingiu um patamar mínimo de 73.616 MW.
De acordo com especialistas, o padrão de comportamento é previsível, mas demanda atenção técnica para evitar sobrecargas repentinas após o apito final. “A variação no consumo exigiu monitoramento especial da operação para absorver as rápidas oscilações da carga elétrica durante a noite”, destacou o órgão em seu boletim técnico sobre o impacto do evento na rede nacional.
Retomadas abruptas após os intervalos
O impacto mais curioso para o setor elétrico acontece nos momentos de pausa. Conforme a partida caminhava para o intervalo ou para o encerramento, o uso simultâneo de eletrodomésticos — como micro-ondas e geladeiras — gerou o que o ONS classifica como “rampas de elevação de carga”.
Os números ilustram bem essa transição:
* **No intervalo (22h34):** A demanda subiu 2.279 MW em apenas nove minutos, volume comparável ao consumo médio do Ceará.
* **Após o jogo (23h50):** O sistema registrou um salto de 2.420 MW em um intervalo de 17 minutos, carga similar à média do Maranhão.
O episódio reforça como grandes eventos de massa alteram a dinâmica energética do país, exigindo que o Operador Nacional do Sistema Elétrico mantenha uma estratégia de gestão ágil para equilibrar oferta e demanda. O histórico de jogos da seleção brasileira em mundiais serve como base para que o setor prepare o sistema, garantindo que o bem-estar dos torcedores não resulte em instabilidades no fornecimento de energia para o restante do país.





















