Expansão da demanda por gás natural no Brasil aponta para novos desafios e estratégias.
O cenário energético brasileiro caminha para uma transformação significativa na demanda por gás natural, com projeções indicando uma duplicação, ou até mesmo triplicação, do consumo nos próximos cinco anos. A Petrobras estima que o volume diário possa alcançar 140 milhões de metros cúbicos (m³), um salto considerável em relação aos atuais 50 milhões de m³, especialmente após a entrada em operação das termelétricas contratadas no recente leilão de reserva de capacidade na forma de potência (LRCap).
Essa projeção ambiciosa foi apresentada por Alvaro Tupiassu, gerente-executivo de Gás e Energia da Petrobras, durante um evento em junho. Ele destacou que tal crescimento, em um intervalo tão curto, exigirá do país a busca ativa por diversas fontes de suprimento. A diversificação incluirá a expansão do uso de Gás Natural Liquefeito (GNL) em sua capacidade máxima, além da exploração de mercados internacionais e o desenvolvimento da estocagem subterrânea de gás.
Desafios na oferta e infraestrutura
Atualmente, a infraestrutura de estocagem de gás no Brasil ainda apresenta limitações. Apenas uma autorização foi concedida pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) para estocagem de gás em larga escala, com outra iniciativa em curso. Um dos entraves apontados é a existência de gargalos regulatórios, como a incidência de dupla cobrança nas tarifas de transporte, que precisa ser equacionada.
Tupiassu ressaltou que a produção nacional de gás já opera próxima à demanda firme. Em abril de 2026, o volume de gás nacional disponibilizado ao mercado foi de aproximadamente 61,9 milhões de m³ diários. Para suprir o pico de demanda previsto, será crucial não apenas aumentar as fontes de abastecimento, mas também garantir a capacidade física dos gasodutos e terminais de GNL, dimensionada para os momentos de maior consumo.
Antecipação de geração e tecnologias complementares
Com a previsão de um aumento de cerca de 20 GW na carga nacional até 2031, a maior parte dessa demanda será atendida por usinas termelétricas, uma vez que a expansão da geração hídrica deve ser mais modesta. Nesse contexto, a Petrobras sinalizou positivamente a proposta do Ministério de Minas e Energia (MME) para antecipar a operação de algumas usinas vencedoras do LRCap.
O executivo da estatal também comentou sobre o papel das baterias no sistema elétrico. Ele considera que não há uma competição direta entre as baterias e as usinas térmicas, dada a diferença em escala e aplicabilidade. A visão é de que ambas as tecnologias devem atuar de forma complementar para garantir a flexibilidade e confiabilidade do suprimento energético.
A expansão do mercado de gás natural no Brasil, impulsionada pelas novas contratações do LRCap, projeta um cenário promissor, mas que exige investimentos significativos em infraestrutura e um ambiente regulatório favorável para atrair novas fontes de suprimento e garantir a segurança energética do país.






















