A Abragás propõe que revendas de grande porte passem a envasar botijões de GLP, buscando maior autonomia no mercado e o fim da exclusividade das distribuidoras de gás.
A estrutura do mercado de gás de cozinha no Brasil está no centro de um debate estratégico. A Associação Brasileira de Entidades de Classe das Revendas de Gás LP (Abragás) formalizou junto à ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) uma proposta que pode transformar a logística de envase do GLP no país.
O ponto nevrálgico da discussão é a quebra da exclusividade atual, onde cada distribuidora detém o controle total sobre os vasilhames de sua própria marca. A ideia é permitir que revendas de maior porte, classificadas como classe V e com capacidade de armazenamento superior a 12 mil kg, atuem no enchimento dos botijões, independentemente da marca gravada no casco.
Segurança e modernização do setor
A proposta, que volta à pauta da diretoria da ANP nesta sexta-feira (12/6), busca equilibrar a descentralização do envase com critérios rigorosos de segurança. Segundo a Abragás, esses estabelecimentos de grande porte possuem infraestrutura técnica compatível com os padrões exigidos das grandes companhias do setor.
Sobre a questão da rastreabilidade e o combate ao mercado paralelo, o presidente da entidade, José Luiz Rocha, pontua que a tecnologia é a melhor aliada. A proposta sugere a substituição das marcas gravadas por números de série únicos em cada botijão.
“A implementação de números de série para o rastreamento dos recipientes tornaria o controle muito mais eficiente do que o modelo baseado na marca, garantindo maior transparência e segurança em todo o ciclo do produto.”
Desafios regulatórios e operacionais
A Abragás também esclarece que a medida não se estenderia a postos de combustíveis, mantendo o foco em estabelecimentos especializados e de grande porte. Em relação ao receio sobre a segurança pública, a entidade argumenta que a mudança não fortalece o crime organizado, uma vez que as operações clandestinas já funcionam à margem das normas regulatórias atuais.
Outro ponto crítico abordado é o custo da requalificação dos vasilhames. A associação sustenta que esse encargo deve ser compartilhado proporcionalmente entre todos os agentes autorizados a realizar o envase, criando um sistema de corresponsabilidade no mercado.
O objetivo de longo prazo é reduzir drasticamente as barreiras de entrada no segmento de distribuição de GLP. Se aprovada, a medida promete dinamizar a cadeia de suprimentos, oferecendo às revendas maior autonomia logística e garantindo aos consumidores finais uma oferta mais flexível, mantendo o rigor técnico necessário para a manipulação do gás liquefeito de petróleo.





















