Apoio a economia circular no Brasil esbarra em resistência a reciclados

Apoio a economia circular no Brasil esbarra em resistência a reciclados
Apoio a economia circular no Brasil esbarra em resistência a reciclados - Foto: Reprodução / Freepik | Pixbay
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Brasileiros apoiam a economia circular, mas 43% ainda resistem a produtos reciclados, revela pesquisa da CNI.

Um novo estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela um paradoxo no comportamento do consumidor brasileiro em relação à sustentabilidade. Embora uma expressiva maioria, 72% da população, veja com bons olhos o investimento das empresas em práticas de economia circular, quase metade dos entrevistados, 43%, demonstra resistência em consumir produtos reciclados, independentemente do preço. Os dados, divulgados nesta segunda-feira, trazem à tona os desafios para a plena implementação de um modelo de consumo mais sustentável no país.

A pesquisa de opinião pública, conduzida pela Nexus com 2.019 pessoas de todas as regiões do Brasil em fevereiro, aponta para uma lacuna entre a percepção e a ação. O entusiasmo pelo conceito da economia circular, que propõe o reaproveitamento e a redução de resíduos, contrasta com a hesitação em incorporar produtos de origem reciclada no dia a dia, indicando que a transição para este novo modelo requer mais do que apenas a adesão à ideia.

Barreiras à Adoção de Reciclados

Os motivos para a resistência aos produtos reciclados são variados. O levantamento da CNI destaca que 34% dos consumidores preferem itens novos, enquanto 30% expressam dúvidas sobre a durabilidade dos materiais reutilizados. Essa percepção reforça a necessidade de estratégias que não apenas eduquem, mas também construam confiança na qualidade e na vida útil dos produtos resultantes da economia circular.

Davi Bomtempo, superintendente de Meio Ambiente e Sustentabilidade da CNI, enfatiza que a transição para um modelo circular vai além da oferta de soluções.

Existe interesse da sociedade por práticas mais sustentáveis, mas ainda há barreiras relacionadas à informação, percepção de qualidade e acesso. Isso reforça a necessidade de ampliarmos o debate sobre economia circular e criarmos condições para que escolhas mais sustentáveis façam parte do cotidiano dos brasileiros.

Esse cenário ressalta a urgência da aprovação do Projeto de Lei 1874/2022, que propõe a criação da Política Nacional de Economia Circular (PNEC). Para a CNI, essa legislação seria fundamental para estimular investimentos, elevar a competitividade industrial e impulsionar práticas de consumo mais sustentáveis no país.

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Desafios na Conexão Entre Percepção e Comportamento

A pesquisa também revela um descompasso significativo entre a consciência ambiental e o comportamento prático da população. Apenas 13% dos brasileiros afirmam ter um conhecimento aprofundado sobre o conceito de economia circular. Mais alarmante, 56% dos entrevistados não percebem uma ligação direta entre seus hábitos de consumo e as emissões de gases de efeito estufa, evidenciando uma lacuna crucial na educação ambiental.

Outro ponto de atenção é a baixa adesão à logística reversa: 84% dos brasileiros não costumam devolver itens como pilhas, baterias e eletrônicos aos pontos de coleta. Os principais obstáculos identificados são a falta de informação (33%) e a distância dos locais de descarte adequado (24%), indicando a necessidade de maior infraestrutura e campanhas de conscientização para facilitar a participação do cidadão.

Apesar dos desafios, o estudo identifica algumas práticas sustentáveis já incorporadas. Cerca de 58% dos brasileiros afirmam consertar produtos antes de substituí-los. Contudo, para metade desse grupo, a principal motivação é a economia financeira, e apenas 10% citam a preocupação ambiental como fator determinante.

O Caminho para a Plena Economia Circular

Os resultados da pesquisa sublinham que, embora o apoio conceitual à economia circular seja forte no Brasil, a concretização desse modelo de desenvolvimento sustentável ainda enfrenta obstáculos substanciais. É imperativo que se invista em educação ambiental, no fortalecimento da confiança do consumidor na qualidade dos reciclados e na expansão da infraestrutura de logística reversa. A aprovação da PNEC pode ser um catalisador para estas mudanças, criando um ambiente mais favorável para que as escolhas sustentáveis se tornem a norma, impulsionando um futuro mais verde e próspero para o Brasil.

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