Petrobras pressiona por homologação do leilão de reserva de capacidade, alertando para riscos de suprimento energético.
A Petrobras intensificou nesta segunda-feira (1º de junho) sua defesa pela homologação imediata do Leilão de Reserva de Capacidade (LRCap), realizado em março deste ano. A estatal busca garantir a contratação de cerca de 2,6 GW de potência firme, distribuída em nove usinas, com contratos previstos para o período entre 2026 e 2031. A estimativa é de uma receita anual fixa de aproximadamente R$ 4,45 bilhões.
O certame, segundo a companhia, é crucial para a segurança energética do Brasil, especialmente em um cenário de rápida expansão das fontes renováveis intermitentes, aumento da demanda e eventos climáticos extremos. A ausência dessa capacidade contratada poderia elevar o risco de falhas de suprimento, com projeções do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) indicando probabilidades de até 30% em 2026 e mais de 90% em 2029.
Potência firme: a peça que faltava para a segurança energética
A necessidade de capacidade firme, ou seja, fontes de energia confiáveis e disponíveis 24 horas por dia, foi evidenciada em despachos recentes da Petrobras. Em maio, as usinas termelétricas da companhia foram acionadas para atender picos de demanda, gerando mais de 680 MW em uma ocasião e ultrapassando 2 GW em outro momento, um incremento significativo em poucas horas.
William França, diretor-executivo em exercício de Transição Energética e Sustentabilidade da Petrobras, enfatizou a importância do LRCap:
“Esse novo contexto exige capacidade firme, confiável e disponível 24 horas por dia para garantir o suprimento nos momentos críticos. O LRCap é essencial para a segurança elétrica do Brasil e para a previsibilidade necessária ao desenvolvimento do setor energético nacional, evitando que o país passe por apagões.”
Riscos da não concretização do leilão
A não concretização do LRCap pode ter um impacto direto na viabilidade de usinas termelétricas já existentes no sistema. A receita gerada pelo leilão é um fator determinante para a operação desses ativos. Sua desmobilização agravaria o risco de falhas de suprimento exatamente no período em que o ONS identifica maior vulnerabilidade.
A Petrobras reitera que a contratação de potência firme não é um obstáculo à expansão das energias renováveis, mas sim um complemento essencial. A companhia reafirma seu compromisso com a transição energética e a segurança do abastecimento, defendendo a homologação e a assinatura dos contratos das usinas vencedoras do LRCap 2026 para assegurar a continuidade do fornecimento de energia.























