Transição para a ‘blue economy’ ganha força e pressiona setor oceânico global por metas sustentáveis até 2030

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Crédito Foto: Divulgação
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A Economia Azul: Um Chamado Urgente por Metas Sustentáveis para os Oceanos até 2030

A ‘blue economy’, ou economia azul, um setor que já movimenta trilhões de dólares globalmente, está em um momento crucial. A necessidade de acelerar a transição para práticas sustentáveis é mais premente do que nunca para evitar o colapso dos recursos marinhos, conforme alerta a especialista Liu Berman.

A indústria oceânica, com seu vasto potencial econômico, enfrenta o desafio de reformular suas atividades. O modelo atual, que inclui desde a pesca até a exploração de petróleo e gás offshore, mostra-se insustentável diante da crescente degradação ecológica e do esgotamento dos recursos naturais dos mares.

O Cenário Atual da Economia Azul

O setor da economia azul já representa um valor significativo no cenário internacional, estimado em US$ 1,5 trilhão. Contudo, o crescimento exponencial dessas atividades, sem o devido cuidado ambiental, tem gerado preocupações. A degradação dos ecossistemas marinhos e a pressão sobre os recursos naturais tornam a adoção de práticas sustentáveis uma necessidade inadiável.

A projeção de que a economia dos oceanos possa alcançar US$ 3 trilhões até 2030, por si só, não é suficiente. O foco agora recai sobre a natureza dessas atividades. A geração de energia eólica offshore, por exemplo, surge como uma alternativa promissora e alinhada com os princípios da sustentabilidade, indicando uma mudança de paradigma no setor.

A Urgência da Transição Sustentável

Liu Berman, uma voz ativa na articulação de territórios sustentáveis e idealizadora da LB Cultura Circular, enfatiza que a economia azul deve ser o vetor para alinhar as atividades oceânicas com os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. A proximidade da meta de 2030 intensifica a urgência dessa transição.

“Refrear um avanço metódico de mais de uma década é um esforço que as nações, incluindo o Brasil, estão propondo. Estamos há apenas quatro anos da conclusão da ‘Agenda 2030’, e observar o avanço da transição da ‘economia dos oceanos’ ainda preocupa. A adesão necessita de uma urgência maior, para dialogar com a ODS 14 (Vida na Água) e não perder os ativos, pelo fato dos oceanos não conseguirem mais se regenerar como antes”, explica Liu Berman.

A especialista ressalta que a exploração desenfreada dos mares exige a implementação de estratégias sustentáveis. Ignorar essa urgência, segundo ela, compromete não apenas o meio ambiente, mas também a estabilidade social e econômica global. A interdependência entre a saúde dos oceanos e o bem-estar humano é inegável.

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O Papel Vital dos Oceanos para a Economia Global

Um relatório da OECD, intitulado ‘The Ocean Economy to 2050’, corrobora a importância crítica dos oceanos. Eles são essenciais para a segurança alimentar de mais de três bilhões de pessoas, fundamentais para o transporte de mais de 80% das mercadorias mundiais e a infraestrutura de comunicação global, abrigando 98% do tráfego internacional de internet em cabos submarinos.

“Qualquer colapso estrutural paralisa o comércio e toda a comunicação global. Proteger o ecossistema marinho é, fundamentalmente, proteger a própria estabilidade da economia global”, afirma o documento da OECD. Essa perspectiva demonstra que a preservação dos oceanos transcende a mera preocupação ambiental, configurando-se como um pilar para a sustentabilidade da própria economia global.

A transição energética global, apesar de potencializar o crescimento da economia oceânica, demanda um ajuste na forma como exploramos seus recursos. A OECD projeta que mesmo com a aceleração da energia de baixo carbono, o crescimento sustentado da economia oceânica até 2050, que pode atingir 2,5 vezes o seu tamanho em 1995, dependerá de uma mudança imediata nos modelos de exploração.

“A janela de oportunidade para essa virada de chave é curta, especialmente ao se tratar do prazo da Agenda 2030. O crescimento projetado pela OCDE até 2050 só se sustentará se mudarmos a matriz de exploração agora, substituindo as práticas predatórias por ativos de baixo carbono antes que o esgotamento dos recursos marinhos se torne irreversível”, conclui Liu Berman.

A necessidade de ação imediata é o ponto central para garantir um futuro sustentável para os oceanos e, consequentemente, para a economia global.

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