Uma parceria bilionária entre Omni e Casa dos Ventos garantirá energia limpa para o maior data center do Brasil, que será operado pela ByteDance no Ceará.
O mercado de infraestrutura tecnológica no Brasil acaba de registrar um marco histórico. A Omni, plataforma focada em centros de processamento de dados e controlada pela Patria Investments, formalizou um contrato de energia de longo prazo avaliado em US$ 2 bilhões com a Casa dos Ventos. O objetivo central é abastecer, com exclusividade, o colossal data center da ByteDance — gigante dona do TikTok — no Complexo Industrial e Portuário do Pecém.
Este projeto, que demanda um aporte de R$ 200 bilhões, posiciona o Nordeste como o principal destino para o desenvolvimento de infraestruturas digitais de alta performance. A escolha da região não é casual: combina a necessidade de conectividade das Big Techs com a abundância de recursos renováveis que o estado cearense e vizinhanças oferecem.
Modelo de autoprodução e segurança jurídica
A estrutura do negócio utiliza o modelo de autoprodução de energia. Com isso, a Omni adquire participação societária nos parques eólicos da Casa dos Ventos, garantindo não apenas a procedência sustentável do suprimento, mas também imunidade contra variações bruscas de encargos setoriais. Essa engenharia financeira assegura uma previsibilidade de custos operacionais vital para a longevidade do empreendimento.
O suprimento será extraído de dois grandes ativos da geradora: o Complexo Eólico Ibiapaba, na divisa entre Ceará e Piauí, e o Parque Eólico Dom Inocêncio, em território piauiense. A escala desse fornecimento é inédita para a Casa dos Ventos, que utilizará a receita gerada pelo contrato para alavancar seu plano de expansão, com a meta de adicionar 2,1 GW à sua capacidade instalada no país.
“O uso de água será mínimo, equivalente ao consumo de até 50 residências, garantindo que o empreendimento atenda aos padrões globais de ESG,” afirmou Rodrigo Abreu, CEO da Omni, ao reforçar o compromisso com a sustentabilidade.
Cronograma e próximos passos
As atividades de construção no Pecém avançam conforme o planejado desde o início deste ano. A expectativa é que o comissionamento das primeiras unidades de processamento ocorra no terceiro trimestre de 2027. A partir daí, o projeto passará por um processo gradual de aumento de carga, conhecido como ramp-up, estendendo-se até 2029.
Com este movimento, o Brasil consolida sua capacidade de atrair grandes players globais que buscam um ecossistema de dados operando estritamente com energia limpa. Para o setor energético, o contrato atesta a viabilidade de grandes projetos de geração eólica como motores de desenvolvimento econômico e digital.





















