Motoristas de aplicativo impulsionam a adoção de carros elétricos com ganhos de até 70% e redefinem o papel da energia na mobilidade urbana.
A busca por maior rentabilidade tem levado motoristas de aplicativo no Brasil a aderir em massa aos carros elétricos. Essa transição não apenas aumenta a margem de lucro da atividade, mas também transforma a relação desses profissionais com o mercado de energia, colocando a eletricidade como o novo centro de custo da mobilidade urbana.
Um levantamento nacional divulgado em abril de 2026 pela plataforma GigU, especializada em analisar o desempenho de motoristas de aplicativo, revelou que a troca de veículos a combustão por modelos elétricos pode gerar um aumento de até 70% na lucratividade. O estudo, que abrangeu dados de 56 mil motoristas em 22 estados brasileiros, indica que a margem de lucro média para condutores de veículos elétricos atinge 57%, significativamente superior aos 36,8% registrados por aqueles que utilizam carros a gasolina ou etanol.
O Custo Operacional em Destaque
A principal vantagem econômica dos carros elétricos reside na drástica redução do custo operacional por quilômetro rodado. Ao substituir combustíveis fósseis pela eletricidade, o impacto da flutuação dos preços da gasolina e do etanol na renda dos motoristas é minimizado. Especialistas do setor energético apontam que essa mudança representa uma reconfiguração estrutural na lógica financeira da profissão.
Se antes o abastecimento de combustível era o principal fator de pressão sobre os ganhos, agora a energia elétrica assume protagonismo no orçamento desses trabalhadores. Essa nova realidade estimula os motoristas a buscarem ativamente por soluções energéticas mais eficientes e econômicas, uma vez que o veículo se tornou sua principal ferramenta de trabalho.
Novas Alternativas Energéticas em Foco
Segundo Luís Fernando Roquette, diretor da Coesa Energia, a ascensão dos carros elétricos impulsiona uma nova dinâmica de consumo energético e aproxima os motoristas de soluções alternativas de fornecimento de energia. “O carro elétrico muda completamente a lógica de custo do motorista. A energia passa a ser o principal insumo da atividade, e hoje já existem alternativas que permitem reduzir esse gasto sem investimento inicial, o que impacta diretamente a renda de quem depende do veículo para trabalhar”, afirma.
Roquette destaca o crescente interesse por modelos como a geração distribuída, energia solar compartilhada e energia por assinatura. Nessas modalidades, os consumidores podem se beneficiar de créditos de energia gerados em usinas solares remotas, obtendo descontos na conta de luz sem a necessidade de instalar painéis solares em suas residências ou garagens. Essa alternativa, já adotada por consumidores residenciais e pequenos negócios, começa a ganhar tração entre usuários de veículos elétricos.
Vantagens Além da Economia de Combustível
A consolidação do carro elétrico como uma alternativa financeiramente competitiva no Brasil é inegável. Em grandes centros urbanos, motoristas de aplicativo relatam uma redução expressiva nos gastos mensais, não apenas com abastecimento, mas também com manutenção. Veículos elétricos demandam menos intervenções mecânicas devido à menor quantidade de componentes móveis e à ausência de sistemas de combustão tradicionais, como troca de óleo, velas e filtros.
Essa tendência, avaliam especialistas, sugere uma futura simbiose entre os setores de mobilidade e energia. Com o aumento da frota elétrica, a discussão sobre a infraestrutura de recarga e o custo da eletricidade deverá ganhar um protagonismo semelhante ao que os combustíveis fósseis detiveram nas últimas décadas.
Luís Fernando Roquette conclui que essa transformação já está em curso e redefinirá a percepção do consumidor sobre o mercado energético.
“A energia deixa de ser apenas uma despesa doméstica e passa a fazer parte da estratégia de renda de milhares de trabalhadores. Isso muda a percepção do consumidor e acelera a busca por soluções mais eficientes e econômicas”, pontua. A mobilidade elétrica está, portanto, acelerando a busca por energia mais barata e redefinindo o futuro do trabalho e do consumo energético no país.























