Relatório da ONU aponta que a corrida por minerais críticos, essenciais para a tecnologia verde, replica padrões de exploração social e danos ambientais típicos da era dos combustíveis fósseis.
A corrida global por minerais críticos, como lítio, cobalto e níquel, tornou-se o motor da transição para uma economia de baixo carbono. Contudo, um novo estudo da Universidade das Nações Unidas revela um paradoxo preocupante: a busca por tecnologias sustentáveis está gerando impactos socioambientais severos em nações vulneráveis, replicando as velhas injustiças observadas na indústria do petróleo.
Enquanto os benefícios econômicos das energias renováveis e dos veículos elétricos permanecem concentrados nas nações desenvolvidas, os custos da extração recaem desproporcionalmente sobre comunidades na África e na América do Sul. O cenário levanta um debate urgente sobre a ética por trás da produção de insumos que sustentam a tão almejada transição energética.
Impactos ambientais e crise hídrica
Os números apresentados pela pesquisa do UNU-INWEH são alarmantes. Em 2024, a extração de lítio demandou cerca de 456 bilhões de litros de água, agravando a escassez hídrica em regiões já fragilizadas. Além disso, a mineração gera um rastro tóxico colossal: para cada tonelada de material extraído, produzem-se 2.000 toneladas de resíduos, totalizando mais de 700 milhões de toneladas de lixo tóxico em um único ano.
A saúde das populações locais também sofre consequências diretas. Na República Democrática do Congo, a extração mineral está associada a graves problemas de saúde pública e à manutenção de práticas de exploração infantil em uma parcela significativa das minas locais, evidenciando a fragilidade das cadeias de suprimentos globais.
Caminhos para uma mineração responsável
Para mitigar esses danos, especialistas defendem uma mudança estrutural urgente no setor. As recomendações incluem a implementação de padrões internacionais obrigatórios e o monitoramento rigoroso do uso de recursos hídricos nas áreas de exploração.
Além da regulação, o incentivo à economia circular é apontado como peça-chave para reduzir a pressão sobre a extração primária. A proteção legal das comunidades afetadas e a transparência na origem dos insumos são medidas essenciais para garantir que a transição para a energia limpa não se converta em um novo vetor de desigualdade e empobrecimento global.





















