O Brasil lança o 5º leilão do Eco Invest, projetando mobilizar mais de R$ 50 bilhões para impulsionar startups de tecnologias verdes e a transição energética no país.
O Brasil dá um passo significativo para transformar o vasto conhecimento científico em negócios de impacto com o lançamento da quinta edição do Eco Invest. O programa, gerido pelo Tesouro Nacional, visa superar o desafio de converter pesquisas acadêmicas em soluções mercadológicas para a transição energética e climática. Nesta segunda-feira, foram revelados os detalhes da concorrência que espera movimentar uma soma expressiva, superando os R$ 50 bilhões, para alavancar a inovação sustentável.
A iniciativa representa um esforço estratégico para conectar o capital produtivo e financeiro diretamente a universidades, centros de pesquisa e, principalmente, às startups que desenvolvem tecnologias limpas. O foco é mitigar os riscos inerentes a esses empreendimentos e, assim, atrair um volume maior de capital privado, essencial para o crescimento e escala dessas inovações.
Impulsionando a Inovação Verde com Capital Subsidiado
Para alcançar seus objetivos, o Tesouro Nacional oferecerá capital subsidiado a uma taxa de apenas 1% ao ano aos bancos participantes. Esses recursos servirão como uma alavanca para as instituições financeiras, permitindo-lhes absorver parte do risco e, consequentemente, atrair mais investidores privados. A estrutura do leilão é composta por três mecanismos financeiros cruciais: fundos de investimento em inovação, uma linha de crédito corporativo e verbas não reembolsáveis destinadas à pesquisa aplicada e ao empreendedorismo de base tecnológica.
Os bancos competirão pela gestão de seis fundos de inovação, cada um focado em cadeias estratégicas pré-definidas para a economia verde. Entre elas, destacam-se áreas vitais como combustíveis verdes avançados, fertilizantes verdes e bioinsumos, insumos químicos verdes e biomateriais. Além disso, serão contemplados o beneficiamento de minerais críticos, sistemas de baterias e veículos elétricos, inteligência artificial e automação aplicadas à indústria, e a circularidade de resíduos minerais e industriais.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, enfatizou a importância do programa em um contexto de desenvolvimento de novas empresas:
“As empresas de inovação passam por três vales da morte: tirar a ideia do papel, criar o processo produtivo industrial e a comercialização em larga escala. Estamos endereçando esses três momentos com esse leilão.”
A Estrutura da Concorrência e a Alavancagem de Capital
Cada banco selecionado terá acesso a até R$ 2,5 bilhões do Tesouro. Desse total, R$ 1,5 bilhão será direcionado para o fundo de inovação, com a exigência de que as instituições alavanquem esse montante entre uma e duas vezes. Essa regra visa garantir que cada fundo mobilize entre R$ 3 bilhões e R$ 4,5 bilhões em patrimônio, impulsionando a participação do capital privado.
Os fundos funcionarão como veículos de capital de risco, podendo ser administrados pelos próprios bancos ou em parceria com terceiros. A expectativa é que esses recursos validem e escalem as tecnologias desenvolvidas pelas startups. O secretário-executivo da Fazenda, Rogério Ceron, ex-secretário do Tesouro, ressaltou:
“Aqui colocamos um limite máximo porque não queremos diluir o capital catalítico e reduzir a capacidade de mitigação de riscos.”
O R$ 1 bilhão restante do Tesouro será alocado para a linha de crédito corporativo, que exige uma alavancagem mínima de três vezes por parte dos bancos, implicando na captação de pelo menos R$ 2 bilhões adicionais por instituição. Com essa arquitetura, o leilão deve mobilizar um mínimo de R$ 36 bilhões, com o potencial de superar os R$ 50 bilhões, dependendo das propostas de alavancagem dos bancos, aproximando-se do recorde do terceiro leilão.
Dario Durigan destacou que as propostas que excederem a alavancagem mínima, especialmente na linha de crédito corporativo, serão priorizadas. Essa preferência já se manifestou no quarto leilão, onde apenas metade das propostas foi contemplada. A participação de capital estrangeiro terá um limite mínimo de 15% e máximo de 45%, visando uma integração robusta com investidores externos, mantendo a preponderância do capital nacional.
Adicionalmente, o leilão impõe duas outras condições: 0,5% dos recursos totais deverão ser destinados anualmente ao fomento de pesquisa aplicada e empreendedorismo, e no mínimo 10% dos recursos do fundo devem ser investidos em projetos desenvolvidos em parceria com universidades e Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (ICTs), ou na aquisição de empresas com projetos de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) fora do país.
Inovação e o Modelo Híbrido de Risco e Recompensa
Enquanto os leilões anteriores do Eco Invest se concentravam em instrumentos de dívida ou participação acionária, a quinta edição adota um modelo híbrido, introduzindo a dívida conversível. Este mecanismo foi meticulosamente desenhado para lidar com o elevado risco inerente ao investimento em inovação e novas tecnologias.
O modelo oferece segurança aos investidores, garantindo um retorno financeiro mínimo de IPCA mais 1% ao ano, mesmo em cenários de inadimplência dos projetos. Esse “colchão de segurança” é criado pela aplicação dos recursos subsidiados do Tesouro a taxas de mercado, gerando uma diferença que protege o cotista. Se o projeto obtiver sucesso, o investidor tem a opção de converter sua dívida em participação acionária, tornando-se sócio e capturando o potencial de crescimento do negócio.
A nova rodada do Eco Invest não apenas busca capitalizar startups de ponta, mas também refinar a engenharia financeira para que o Brasil se posicione como um polo de inovação sustentável. Ao mitigar riscos para investidores e direcionar recursos para áreas estratégicas da transição energética, o programa promete fortalecer o ecossistema de inovação e acelerar o desenvolvimento de soluções que são cruciais para um futuro mais verde e resiliente.






















