O governo federal prepara o lançamento da portaria que regulamenta o primeiro leilão de baterias do país, visando aumentar a resiliência e a flexibilidade do sistema elétrico nacional.
O setor de energia renovável brasileiro está prestes a ganhar um importante impulso regulatório. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, revelou, na última sexta-feira (22), que a publicação da portaria oficial para a realização do primeiro leilão de baterias do Brasil é iminente. A declaração foi feita durante o Fórum Esfera Nacional, realizado no Guarujá (SP), consolidando o armazenamento de energia como uma prioridade na pauta de modernização do setor elétrico.
De acordo com as diretrizes compartilhadas pelo ministério, o certame deve ser estruturado para ocorrer no segundo semestre de 2026. O objetivo principal da iniciativa é a contratação de sistemas de armazenamento de energia por baterias que possam operar de forma integrada ao SIN (Sistema Interligado Nacional), trazendo maior estabilidade para uma rede cada vez mais dependente de fontes variáveis, como a solar e a eólica.
O papel estratégico do armazenamento
A integração de baterias à matriz energética é vista como um divisor de águas para superar os gargalos de flexibilidade. Com o crescimento exponencial da geração distribuída e centralizada a partir de fontes renováveis, a capacidade de estocar energia torna‑se essencial. Conforme destacou Alexandre Silveira:
“O armazenamento de energia será peça central para integrar renováveis, reduzir perdas e modernizar o sistema elétrico brasileiro.”
O desenho do leilão foi resultado de um longo período de estudos e análise comparativa de modelos adotados em outras nações. O governo buscou evitar a dependência excessiva de subsídios diretos, que foi um entrave em mercados internacionais. Em vez disso, o foco foi elaborar um formato economicamente sustentável e aderente às particularidades do país. “Precisou ser um debate muito profundo para que a gente possa agora, com segurança, lançar o leilão”, pontuou o ministro.
Estímulo à indústria local
Além da viabilidade técnica e operacional, o governo demonstrou preocupação com o desenvolvimento da cadeia de suprimentos interna. O plano para o certame inclui estratégias de conteúdo local, com o uso de mecanismos progressivos de incentivo. Segundo a pasta, a intenção é fomentar a fabricação nacional de componentes e sistemas de baterias. “Nós precisamos fortalecer a indústria nacional”, reforçou Silveira.
A expectativa entre os agentes do mercado é alta. A regulamentação do leilão é considerada o sinal econômico necessário para que investidores e desenvolvedores ganhem confiança para escalar projetos de armazenamento no Brasil. Com esta movimentação, o país dá um passo decisivo rumo a uma matriz mais eficiente, capaz de gerir melhor seus recursos energéticos e enfrentar os desafios da transição energética global.























