O pioneiro terminal 100% eletrificado da A.P.M. Terminals, em Suape, revela desafios operacionais: a transição energética exige até 30% mais carga elétrica comparada ao modelo a diesel.
A inauguração do terminal de contêineres da A.P.M. Terminals, parte do grupo A.P. Moller – Maersk, no Complexo Industrial Portuário de Suape, marcou um divisor de águas para a logística sustentável na América Latina. Ao substituir geradores a diesel por sistemas movidos a eletricidade, a unidade se posiciona como a primeira do continente a operar com total eletrificação.
Este movimento estratégico não é apenas uma mudança de infraestrutura, mas um salto tecnológico que foca na otimização de guindastes do tipo RTG. Todo o suprimento energético é oriundo do mercado livre, garantido por fontes renováveis e chancelado pela certificação I-REC, reforçando o compromisso com a descarbonização global.
O desafio do consumo energético
A eficiência de um terminal portuário eletrificado traz uma nova dinâmica de gestão de insumos. Embora a pegada de carbono seja drasticamente reduzida, a demanda por eletricidade apresenta uma curva de alta significativa em relação aos métodos tradicionais que dependem de combustíveis fósseis.
Segundo Walter Diniz, gerente de Equipamentos e Automação da A.P.M. Terminals, a mudança exige planejamento.
“Um terminal totalmente eletrificado tende a consumir entre 20% e 30% mais energia do que um terminal que utiliza combustível fóssil, devido à concentração da fonte de energia.”
A empresa pondera que esse valor não é fixo. O consumo flutua conforme o ritmo operacional, o volume de carga movimentada e a demanda específica para o armazenamento de contêineres refrigerados, que costumam exigir um alto aporte energético constante.
Expansão e o futuro do setor
Com um investimento robusto que ultrapassa os 2 bilhões de Reais, a estrutura em Pernambuco amplia a capacidade do porto em 55%, alcançando o patamar de 400 mil TEUs por ano. Esse crescimento é um pilar essencial para a meta do Grupo Maersk de alcançar emissões líquidas zero até 2040.
Além disso, o terminal já nasceu com o olhar voltado para o futuro da navegação. A infraestrutura possui prontidão técnica para implementar o shore power, tecnologia que permitirá o fornecimento de eletricidade diretamente aos navios atracados, eliminando a necessidade de as embarcações manterem seus motores ligados enquanto realizam as operações de carga e descarga.























