O Ministério de Minas e Energia busca uma resolução definitiva sobre o futuro da usina nuclear de Angra 3 até o final de 2026, conforme sinalizado pelo ministro Alexandre Silveira.
O futuro da construção de Angra 3 deve ganhar um desfecho nos próximos meses. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, reforçou nesta quarta-feira (2) que o governo federal está empenhado em apresentar um plano para a conclusão das obras da central nuclear ainda no decorrer de 2026. A deliberação final está a cargo do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).
Questionado sobre prazos, o titular da pasta foi otimista:
Esse ano, sim. Eu não digo o plano, mas esse ano pode sair.
A usina, que teve suas fundações iniciadas ainda nos anos 80, enfrenta uma trajetória marcada por hiatos, encontrando-se com as atividades suspensas desde 2015, quando atingiu 66% de execução física.
Desafios financeiros e custos do abandono
O projeto de conclusão de Angra 3 é um desafio complexo de engenharia e gestão de capital. Com um aporte histórico de cerca de R$ 12 bilhões já realizados, um relatório recente do BNDES aponta que seriam necessários outros R$ 23,9 bilhões para viabilizar a entrega final da unidade.
Por outro lado, a alternativa de desistência total da planta também impõe cifras vultosas aos cofres públicos. Estimativas indicam que o custo do abandono — que englobaria a rescisão de contratos, desmobilização do canteiro, pagamento de dívidas e a perda total do investimento pretérito — oscilaria entre R$ 22 bilhões e quase R$ 26 bilhões.
Atualmente, a manutenção das estruturas paradas e o pagamento de financiamentos exigem um dispêndio anual da Eletronuclear na casa de R$ 1 bilhão.
O papel da energia nuclear na transição
O cenário de incertezas motivou, inclusive, uma ação recente do Tribunal de Contas da União (TCU), que instaurou um procedimento no final de agosto para analisar os próximos passos do empreendimento. De acordo com Alexandre Silveira, as tratativas entre o Ministério e a Casa Civil estão avançando com o intuito de modernizar a companhia estatal.
Alexandre Silveira reiterou:
Nós queremos avançar em Angra 3, queremos modernizar a Eletronuclear. Estamos trabalhando para isso.
Além da viabilidade econômica, o governo trata a fonte nuclear como um pilar estratégico para a transição energética brasileira. Silveira defende a diversificação da matriz, destacando a autossuficiência do país em reservas de urânio e o potencial de fortalecer a cadeia de produção nacional de combustível atômico como ativos decisivos para o futuro do setor elétrico.
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