Desafios técnicos na rede elétrica, como o curtailment, impulsionam a demanda por novas tecnologias e criam nichos estratégicos para pequenos negócios, segundo especialistas do Sebrae.
O setor de energias renováveis no Brasil atravessa uma fase de transformações técnicas que, embora desafiadoras, estão pavimentando o caminho para um mercado emergente. Problemas recorrentes como os cortes de geração — conhecidos no setor como curtailment — e os fenômenos de inversão de fluxo nas redes de distribuição, longe de serem apenas obstáculos, estão sinalizando uma demanda crescente por soluções de armazenamento e sistemas inteligentes.
Durante a realização do EVEx Brasil 2026, em João Pessoa, a gestora do Polo Sebrae de Energias Renováveis, Lorena Roosevelt, enfatizou que o momento é de oportunidade para empreendedores que se prepararem para a transição. Segundo a especialista, o cenário atual de instabilidade na rede é a chave para o avanço de tecnologias de alto valor agregado.
Inovação como saída para gargalos energéticos
A solução para a volatilidade do sistema elétrico passa pela adoção de sistemas híbridos, microgrids e, principalmente, baterias (sistemas BESS). Essas tecnologias permitem otimizar o aproveitamento da energia gerada, garantindo maior eficiência e estabilidade para o consumidor final e para a rede elétrica.
“Esse problema pode ser resolvido ou minimizado através de sistemas híbridos e baterias. É um novo mercado, intensivo em tecnologia e de alto valor agregado, que se abre para quem estiver preparado”, afirmou Roosevelt durante sua participação no estúdio do portal Eixos.
A gestora reforçou que o dinamismo da área de energias limpas exige que os empreendedores, inclusive os de pequeno porte, mantenham uma cultura de atualização constante. De acordo com Lorena, o modelo de negócio tradicional no setor solar precisa ser repensado à medida que novas regras e tecnologias passam a compor o dia a dia da geração distribuída.
Segurança jurídica para o micro e pequeno empreendedor
Um dos maiores desafios identificados pelo Polo Sebrae é a tradução da complexidade normativa para quem atua na ponta da cadeia. O consultor jurídico do órgão, Diego Mendonça, ressalta que a falta de clareza em certos marcos regulatórios dificulta o trabalho dos integradores solares, que precisam atuar como consultores especializados diante de seus clientes.
“Para que o integrador se sinta seguro ao informar o cliente sobre as possibilidades, ele precisa encontrar na regulação a segurança jurídica necessária”, destacou Mendonça.
A atuação do Sebrae tem sido justamente a de diminuir esse abismo técnico e jurídico, oferecendo suporte para que o pequeno empreendedor consiga navegar pelas constantes mudanças das distribuidoras. A expectativa para o futuro do setor é que, à medida que a regulação amadureça e as soluções de armazenamento de energia se tornem mais acessíveis, o mercado brasileiro se consolide como um ambiente de alta tecnologia e novas oportunidades de gestão integrada.






















